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Radar 364 > Política > Autoescolas reagem após fim da exigência para CNH e vão recorrer ao STF
Política

Autoescolas reagem após fim da exigência para CNH e vão recorrer ao STF

Nova resolução do Contran flexibiliza formação de condutores, reduz carga horária e leva entidades do setor a anunciarem reação no STF e no Congresso.

Por Pablo Publicados 2 de dezembro de 2025
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6 Min. de Leitura
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Autoescolas reagem após fim da exigência para CNH e vão recorrer ao STF
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A decisão que derruba a obrigatoriedade de aulas em autoescolas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) reacendeu o debate sobre segurança no trânsito, custo da habilitação e papel do Estado na formação de condutores.

Conteúdo
O que mudou nas regras da CNH com a nova resolução do Contran?Por que as autoescolas falam em insegurança jurídica?Quais são os possíveis impactos da mudança da CNH?Como a segurança no trânsito e o papel das autoescolas podem mudar?FAQ – Fim da exigência de aulas obrigatórias para CNH

A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) nesta segunda-feira (1º/12) e alterou regras atuais, levando entidades do setor a anunciar reação no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso Nacional.


O que mudou nas regras da CNH com a nova resolução do Contran?

A nova resolução do Contran mantém:

  • a prova teórica;
  • a prova prática;
  • e o exame toxicológico para as categorias C, D e E.

Por outro lado, o texto altera pontos centrais relacionados às aulas preparatórias.

As autoescolas deixam de ser obrigatórias, embora permaneçam autorizadas a funcionar.
A partir de agora, o vínculo do candidato com esses centros passa a ser opcional.

Além disso:

  • não existe mais carga horária mínima obrigatória de aulas teóricas;
  • o mínimo de aulas práticas cai de 20 para apenas duas horas de direção;
  • essas aulas podem ser ministradas por instrutores autônomos, sem vínculo com autoescolas.

Com isso, abre-se espaço para um novo mercado de formação, com mais liberdade de escolha para o candidato.


Por que as autoescolas falam em insegurança jurídica?

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto) criticam a decisão.
Segundo as entidades, a resolução do Contran gera insegurança jurídica e atropela o debate em curso no Congresso Nacional.

O setor alega que o Executivo avançou sobre um tema já em discussão legislativa, principalmente no âmbito do Plano Nacional de Formação de Condutores.

Representantes das autoescolas relatam que, no mesmo dia da aprovação da norma, houve reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), que criou uma Comissão Especial para tratar do assunto.

Em resposta, o segmento prepara:

  • uma ação no STF;
  • e um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para suspender os efeitos da resolução.

Assim, as autoescolas atuam simultaneamente nas frentes judicial e legislativa.


Quais são os possíveis impactos da mudança da CNH?

O governo federal argumenta que o alto custo da habilitação contribui para a existência de milhões de motoristas sem CNH.
Por isso, a flexibilização teria potencial para baratear o processo.

Ao reduzir a exigência de aulas e permitir a preparação com instrutores autônomos ou por conta própria, o Executivo espera:

  • diminuir barreiras econômicas;
  • ampliar o acesso à CNH.

Com menos obrigatoriedades formais, o candidato tende a gastar menos, principalmente se não contratar pacotes completos de autoescolas, o que aumenta a concorrência entre diferentes modelos de formação.

Essa política busca trazer para a legalidade parte de quem já dirige sem habilitação.
Entretanto, cresce o receio de queda na qualidade da formação e de reflexos na segurança viária.


Como a segurança no trânsito e o papel das autoescolas podem mudar?

A discussão sobre a obrigatoriedade de aulas presenciais toca diretamente a segurança no trânsito.
Formar um condutor envolve não só o domínio do veículo, mas também a compreensão das normas e de condutas preventivas.

Entidades do setor temem que:

  • a redução da carga horária;
  • e a dispensa do curso teórico presencial

acabem comprometendo a formação mínima desejável para novos motoristas.

Por outro lado, a manutenção das provas teórica e prática como filtros obrigatórios segue como baliza de qualidade.
Esse modelo reforça a responsabilidade individual do candidato e exige rigor do Estado na aplicação dos exames.

Nesse novo cenário, as autoescolas passam a disputar espaço com instrutores autônomos, em um provável modelo híbrido e mais flexível de formação de condutores.


FAQ – Fim da exigência de aulas obrigatórias para CNH

Quem já está fazendo aulas em autoescola será afetado imediatamente?
Em geral, mudanças desse tipo passam a valer após a publicação oficial no Diário Oficial da União.
Além disso, costumam prever regras de transição.
Quem já está em processo de habilitação tende a poder continuar no modelo antigo ou migrar para o novo, conforme a regulamentação dos Detrans estaduais, que detalham as orientações.

Instrutores autônomos precisarão de algum tipo de credenciamento?
A tendência é que, mesmo com a abertura para instrutores independentes, existam requisitos mínimos, como cadastro, certificação ou experiência comprovada.
Esses critérios dependem de normas complementares do Contran e de regulamentações dos Detrans, que devem buscar um padrão mínimo de qualidade.

A prova teórica para CNH ficará mais difícil sem as aulas obrigatórias?
O nível de dificuldade da prova depende do banco de questões e dos critérios definidos pelo Contran e pelos Detrans, e não da exigência de curso formal.
O que muda é a responsabilidade do candidato em buscar conteúdo por conta própria — em autoescolas, com instrutores ou por meio de materiais de estudo presenciais e on-line.

Quem já dirige sem habilitação terá alguma anistia com a nova regra?
Não. A flexibilização das aulas não significa anistia para infrações anteriores.
Dirigir sem CNH continua sendo infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro.
A medida pode, porém, facilitar a entrada formal desses motoristas no processo de habilitação, ao reduzir custos e etapas, sem afastar as sanções para quem for flagrado dirigindo irregularmente.

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