Da Redação
A Corte Suprema de Cassação italiana negou a extradição e autorizou a soltura da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). A decisão, comunicada na última sexta-feira (22), reaviva uma antiga disputa diplomática entre Brasil e Itália sobre extradições.
Histórico de conflitos
O caso remete ao episódio de Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália. Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou sua extradição, gerando tensões bilaterais significativas.
Battisti foi condenado pelo assassinato de quatro pessoas em 1970 e recebeu asilo político brasileiro. O ex-ativista italiano tornou-se símbolo das discordâncias institucionais entre os dois países naquela época.
Argumentos diplomáticos atuais
Em visita à Itália em 2025, os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Magno Malta (PL-ES) utilizaram o caso Battisti como argumento. Malta afirmou que Bolsonaro cumpriu pedidos italianos, ao contrário de Lula.
“Lembramos a Salvini que foi Bolsonaro quem cumpriu o pedido da Itália e entregou Battisti, ao contrário do que fez Lula. Isso mostra quem realmente respeita a justiça e os tratados internacionais”, declarou Malta na ocasião.
Análise de especialistas
A professora e doutora em Direito Internacional Priscila Caneparo afirma que a soltura gera constrangimento para o STF. Porém, segundo ela, o impacto será menor que o esperado inicialmente.
“A decisão gera um constrangimento para o STF, é inegável, até porque a extradição era tida como muito provável. No entanto, acredito que o constrangimento vai ser maior do que o abalo na relação político-diplomática com a Itália”, avaliou Caneparo.
A especialista identifica diferenças cruciais entre os casos. “No caso do Battisti, de fato foi concedido asilo político. O Brasil entendeu que naquele momento existiria uma perseguição política e ideológica. No caso da Zambelli, estamos ainda na fase judicial, que levanta apenas critérios técnicos”, explicou.
Caneparo considera improvável que a decisão italiana represente uma resposta ou ressentimento relacionado ao caso anterior. A especialista prevê um “abalo momentâneo” nas relações, mas não uma ruptura institucional significativa.
Fonte: CNN Brasil
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