Da Redação
O enviado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a Ucrânia, Keith Kellogg, afirma que um acordo para encerrar a guerra está “muito próximo”. Segundo ele, os dois lados ainda precisam resolver apenas duas questões centrais. Ao mesmo tempo, o Kremlin diz que só aceitará um entendimento se Washington fizer mudanças “radicais” em alguns pontos do plano.
Trump recebeu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na Casa Branca, em Washington. Ele voltou a repetir que deseja ser lembrado como um presidente “pacificador”. Para o republicano, acabar com o conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial continua sendo o maior desafio da sua política externa.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022. A ofensiva ampliou uma guerra que já durava oito anos entre separatistas pró-Moscou e tropas ucranianas na região do Donbas, formada por Donetsk e Luhansk.
Kellogg fala em “últimos 10 metros” das negociações
Kellogg, que deixa o cargo em janeiro, participou do Fórum de Defesa Nacional Reagan, na Califórnia. Ali, ele disse que as tratativas estão nos “últimos 10 metros”, etapa que, segundo ele, sempre traz mais dificuldade.
Ainda assim, o emissário de Trump demonstrou otimismo. “Estamos quase lá”, afirmou. Em seguida, reforçou: “Estamos muito, muito perto”. Para Kellogg, o formato geral do acordo já está desenhado. Falta apenas desbloquear os pontos mais sensíveis.
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Donbas e Zaporizhzhia travam o acordo
Na visão de Kellogg, dois temas seguram o desfecho: o futuro do Donbas e o destino da usina nuclear de Zaporizhzhia. A planta é a maior da Europa e, hoje, forças russas controlam o local.
O Kremlin usa a expressão “problemas territoriais” para se referir, principalmente, às ambições sobre todo o Donbas. Moscou reivindica a região, embora a Ucrânia ainda controle cerca de 5.000 km² da área. Quase todos os países do mundo continuam a reconhecer o Donbas como parte do território ucraniano.
O presidente Zelensky rejeita uma cessão simples do restante de Donetsk. Ele diz que uma entrega sem referendo seria ilegal. Além disso, daria à Rússia uma base para lançar ataques ainda mais profundos contra a Ucrânia no futuro.
Sobre Zaporizhzhia, o impasse mistura disputa territorial e risco nuclear. De um lado, a usina é peça-chave na matriz energética. De outro, qualquer acidente em zona de guerra teria impacto regional. Por isso, o status da planta virou ponto decisivo em qualquer desenho de paz.
Kellogg resumiu o raciocínio: “Se conseguirmos resolver essas duas questões, o restante das coisas funcionará muito bem”.
Moscou pede mudanças “radicais” nos documentos dos EUA
Na semana anterior, o presidente Vladimir Putin recebeu o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o genro de Trump, Jared Kushner, para cerca de quatro horas de conversas em Moscou. Depois desse encontro, Yuri Ushakov, principal assessor de política externa do Kremlin, confirmou que as partes discutiram “problemas territoriais”.
Neste domingo, a mídia russa citou Ushakov novamente. Ele declarou que os Estados Unidos precisam fazer “mudanças sérias, eu diria, radicais em seus documentos” sobre a Ucrânia. Ele não detalhou, porém, quais pontos Moscou deseja alterar.
Na prática, o recado indica que a Rússia não aceita o pacote atual. Para o Kremlin, as garantias sobre território e segurança ainda não atendem às exigências de Moscou.
Papel de Kushner e contatos com Zelensky
Enquanto isso, os canais paralelos continuam ativos. No sábado, Zelensky afirmou que teve uma conversa longa e “substancial” com Witkoff e Kushner por telefone. Ele não revelou o conteúdo completo da ligação, mas disse que tratou de pontos centrais para um possível acordo.
O Kremlin, por sua vez, sinaliza que vê Kushner como peça-chave na construção do texto final. Assessores de Putin afirmam esperar que o genro de Trump lidere a redação de um esboço aceitável para todas as partes, mesmo sem ocupar um cargo diplomático formal.
Assim, o quadro atual mistura sinais opostos. De um lado, emissores de Washington dizem que o fim da guerra na Ucrânia está “muito perto”. De outro, Moscou insiste em mudanças profundas e mantém pressão sobre o tema territorial. Enquanto Donbas e Zaporizhzhia seguirem sem solução, o conflito continua em aberto — ainda que, desta vez, com avanços mais claros na mesa de negociação.
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