Da Redação
A Rússia pretende alterar pontos importantes no mais recente plano de paz dos Estados Unidos para encerrar a guerra na Ucrânia, incluindo restrições mais severas ao setor militar ucraniano, segundo fonte próxima ao Kremlin. Moscou vê o plano de 20 pontos, elaborado entre Ucrânia e EUA, como um ponto de partida para futuras negociações, mas considera que ele carece de disposições essenciais para seus interesses.
Análise cautelosa do plano de paz
Embora a Rússia considere o documento atual como um plano ucraniano típico, ela o analisará com cautela. O presidente russo, Vladimir Putin, ainda não comentou as últimas propostas, que surgiram após semanas de negociações entre autoridades dos EUA, Ucrânia e Rússia.
O enviado do Kremlin, Kirill Dmitriev, reuniu-se com a equipe americana na Flórida e informou Putin sobre os resultados. Moscou continuará os contatos com Washington em breve, conforme afirmou o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, nesta quarta-feira (24).
Divergências territoriais e avanços nas negociações
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que ainda existem diferenças entre Kiev e Washington sobre questões territoriais e a gestão da usina nuclear de Zaporizhzhia, controlada pela Rússia desde o início da invasão em 2022. Mesmo assim, Zelenskiy avaliou que as negociações avançaram significativamente rumo à finalização dos documentos.
Preocupações e demandas da Rússia
A Rússia não endossou a versão mais recente do plano de 20 pontos, mas evita rejeitá-lo totalmente para não alienar o presidente dos EUA, Donald Trump. Trump afirmou que as conversas estão “indo bem” e que há chance de acordo em breve, embora as esperanças de um acordo até o Natal não tenham se concretizado.
Entre as preocupações russas estão garantias contra a expansão da OTAN para o leste e o status neutro da Ucrânia caso ela entre na União Europeia. Moscou também quer limites claros para as forças armadas ucranianas pós-guerra, tipos de armas permitidas, garantias sobre o status da língua russa e a remoção de sanções, além da liberação de ativos estatais russos congelados no Ocidente.
Disputa territorial em Donetsk
A Rússia exige que a Ucrânia ceda territórios no leste de Donetsk, que as tropas russas não conseguiram capturar após quase quatro anos de combates. A Ucrânia rejeita essa demanda, temendo que a entrega da área a deixe vulnerável a novos ataques.
Zelenskiy busca convencer Trump a propor que a Rússia pare a guerra na linha de contato atual. Moscou sugere retirar tropas de regiões como Dnipropetrovsk, Mykolayiv, Sumy e Kharkiv, mas quer que a Ucrânia se retire da área que ainda controla em Donetsk, que os EUA acreditam que deveria ser uma zona “econômica livre” ou “desmilitarizada”.
Compromissos e garantias ucranianas
Zelenskiy prometeu realizar eleições presidenciais “o mais rápido possível” após o cessar-fogo. A trégua entraria em vigor no dia da assinatura do acordo, com monitoramento por mediadores internacionais.
A Ucrânia poderá manter um exército de até 800 mil soldados em tempo de paz. Qualquer violação do cessar-fogo pela Rússia acionaria garantias de segurança dos EUA, segundo Zelenskiy.
Além disso, a Ucrânia obteve apoio dos EUA para um prazo claro para ingressar na União Europeia e um compromisso de centenas de bilhões de dólares para a reconstrução pós-guerra. Também firmou um novo pacto com a Rússia para proteger seu comércio fluvial e marítimo.
O cronograma para a adesão da Ucrânia à UE é atualmente uma discussão bilateral entre EUA e Ucrânia, sem confirmação da Europa.
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