*Da Redação*
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro intensificaram críticas nesta quarta-feira (7/1) ao ministro do STF Alexandre de Moraes. A anulação de sindicância aberta pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre assistência médica após queda de Bolsonaro na sede da Polícia Federal reacendeu debate institucional. O episódio envolve questões sobre autonomia de conselhos profissionais e limites da atuação do Supremo.
#### Qual foi a decisão de Alexandre de Moraes sobre a sindicância do CFM?
O CFM havia questionado se Bolsonaro recebeu atendimento adequado e oportuno após o acidente. A entidade orientou o CRM-DF a instaurar sindicância para avaliar conduta dos profissionais envolvidos. Moraes suspendeu a apuração horas depois, declarando-a ilegal e determinando que a Polícia Federal ouvisse o presidente do Conselho.
Em sua decisão, Moraes argumentou que o CFM careceria de competência para fiscalizar aquele contexto específico. O ministro considerou que a sindicância poderia interferir em investigações já em andamento na Corte e na PF. Com isso, deslocou o foco da esfera disciplinar médica para investigação criminal, ampliando descontentamento político.
#### Como os aliados de Bolsonaro reagiram à decisão de Alexandre de Moraes?
Parlamentares bolsonaristas classificaram a medida como perseguição política. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, afirmou que Moraes agiu de forma “negacionista” ao minimizar riscos à saúde paterna. Criticou o fato de Bolsonaro ter sido levado ao hospital cerca de 24 horas após a queda.
Flávio ressaltou que a nota do CFM indicaria necessidade de atendimento imediato após acidente. Manifestou solidariedade ao presidente do Conselho em publicação nas redes sociais. Utilizou linguagem alarmante para questionar tempo de resposta no atendimento e sugeriu que demora poderia ter causado desfechos clínicos graves. Acesse a publicação: @FlavioBolsonaro
#### Por que aliados chamam Alexandre de Moraes de risco à democracia?
Integrantes da base bolsonarista elevaram tom de críticas, associando Moraes a suposto desequilíbrio institucional. O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) chamou o ministro de “ditador” e o acusou de “abuso de poder”. Afirmou que Moraes acumularia funções de investigador, acusador, julgador e agora médico.
Gayer mencionou condição etária de Bolsonaro, descrevendo decisões judiciais como “tortura escancarada”. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) apontou Moraes como “grande risco à democracia”. Cobrou atuação mais firme do Senado Federal na questão. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), ironizou atuação do ministro ao questionar sua formação médica.
#### Quais são os impactos políticos e institucionais da polêmica com o CFM?
A anulação da sindicância realçou discussão sobre autonomia dos conselhos profissionais. Debate inclui limites da atuação individual de ministros do STF em casos politicamente sensíveis. Especialistas em direito e gestão de saúde destacam proteção à saúde de agentes públicos como questão fundamental.
O episódio envolve independência de entidades de classe e relação entre instâncias administrativas e Poder Judiciário. Principais pontos sob discussão entre juristas, médicos e atores políticos incluem:
– Delimitação de competências entre conselhos profissionais, STF e Polícia Federal em casos com forte impacto político.
– Alcance da autonomia do CFM na fiscalização ética de médicos envolvidos em atendimentos a autoridades.
– Uso de decisões monocráticas em temas que afetam embate entre Judiciário e grupos políticos.
– Potencial efeito desse caso em futuras interações entre entidades de classe e tribunais superiores.
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