Da Redação
Os Estados Unidos não necessitam do petróleo venezuelano atualmente, sendo um país autossuficiente em energia. O interesse americano na região relaciona-se mais à disputa por influência geopolítica entre potências globais.
A avaliação é de David Zylbersztajn, especialista em energia, pesquisador e professor da PUC-RJ. Ele foi primeiro presidente da Agência Nacional do Petróleo e participou do InfoMoney Entrevista.
Mercado sobreofertado reduz impacto potencial
Zylbersztajn relativizou o impacto de um eventual retorno da Venezuela ao mercado global de petróleo. O mercado mundial apresenta atualmente oferta superior à demanda, refletindo em preços moderados.
Nos últimos 15 anos, ajustado pela inflação em dólar, o petróleo custa aproximadamente metade do preço real anterior. Essa situação favorável reduz pressões por novos fornecedores internacionais.
O petróleo como justificativa secundária
Ao analisar operações militares americanas na Venezuela e ameaças de intervenção no Irã, o professor observou que petróleo representa questão agregada a interesse maior.
“Primeiro era narcotráfico, depois explicitou-se petróleo. Na prática, teve impacto em dominância e influência”, destacou Zylbersztajn sobre motivações geopolíticas americanas na região.
Reservas venezuelanas: qualidade versus quantidade
Sobre as maiores reservas petroleiras mundiais da Venezuela, Zylbersztajn fez importantes ponderações econômicas. O petróleo venezuelano possui qualidade inferior, resultando em preços superiores à média global.
Reservas constituem conceito econômico, não apenas físico. Conforme preços caem, viabilidade econômica de extração diminui significativamente em muitos campos.
“Se encontrássemos petróleo na praia de Ipanema a 500 dólares o barril, não teríamos petróleo lá”, exemplificou o professor sobre a natureza econômica do conceito.
China, Rússia e Irã disputam posições estratégicas
Zylbersztajn identificou movimento americano para afastar concorrentes da região, destacando interesse estratégico chinês. Empresas chinesas buscam petróleo para economia interna, não para transações comerciais.
A China utiliza petróleo como insumo estratégico de longo prazo, diferentemente da visão ocidental de commodity. Reservas venezuelanas ganham valor distinto nessa perspectiva estratégica.
A China emprega dominância econômica na América Latina, observável em Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru, sem recorrer a intervenção militar.
Rússia fornece armamentos à Venezuela, enquanto Cuba mantém forte presença militar desde época de Hugo Chávez. O Irã, segundo denúncias, converteu o país em base de proteção a grupos terroristas do Oriente Médio como Hezbollah.
Transição energética pode sofrer atrasos
Zylbersztajn comentou como novas disputas por combustíveis fósseis podem postergar processos de transição energética global. Dinâmica geopolítica interfere em agendas climáticas internacionais.
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