Da Redação
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou nesta quarta-feira o Relatório de Monitoramento Global da Educação 2026. O documento apresenta um diagnóstico detalhado da situação educacional mundial.
Exclusão escolar em alta
Após redução de 33% entre 2000 e 2015, a população fora da escola cresceu há sete anos seguidos. O número atingiu 273 milhões de estudantes em 2024, representando uma em cada seis crianças e adolescentes globalmente excluídos da educação.
Os principais fatores identificados são crescimento populacional, crises humanitárias e redução de orçamentos educacionais. A Unesco estima que essa população seja subestimada em pelo menos 13 milhões se consideradas informações de conflitos.
Crescimento de matrículas
Apesar dos desafios, 1,4 bilhão de estudantes estavam matriculados em 2024. As matrículas aumentaram 30% no ensino primário e secundário desde 2000, com crescimento de 45% na pré-escola.
Exemplos positivos incluem a Etiópia, que elevou a taxa de matrícula primária de 18% para 84%, e a China, que expandiu o acesso ao ensino superior de 7% para 60% no mesmo período.
Desaceleração na permanência escolar
O progresso na retenção de crianças nas escolas desacelerou desde 2015 em quase todas as regiões. A África Subsaariana registra queda mais acentuada, principalmente por crescimento populacional.
Conflitos também prejudicaram avanços, especialmente no Oriente Médio, onde ataques forçaram fechamento de escolas. Alguns países, como Madagascar e Togo, reduziram taxas de evasão em 80%.
Conclusão de ciclos educacionais
Desde 2000, a taxa de conclusão do ensino primário subiu de 77% para 88%. No ensino médio, cresceu de 37% para 61%, com aumento de um ponto percentual ao ano.
Apenas dois terços dos jovens completam educação secundária globalmente. Nas taxas atuais, o mundo alcançará 95% de conclusão do ensino médio apenas em 2105.
Redução de repetência
Altas taxas de repetência caíram 62% no primário e 38% no ensino médio inferior desde 2000. Contudo, muitas crianças ainda se matriculam tarde e repetem anos em países de baixa renda.
A lacuna entre conclusão “no tempo certo” e conclusão “final” no ensino médio inferior é de quatro pontos globalmente, chegando a nove em países pobres.
Avanços em equidade
As disparidades de gênero na educação primária e secundária foram reduzidas significativamente. No Nepal, meninas alcançaram e superaram meninos graças a reformas de igualdade de gênero.
A proporção de países com leis de educação inclusiva cresceu de 1% para 24% desde 2000. A educação inclusiva para crianças com deficiência passou de 17% para 29% entre legislações nacionais.
Financiamento educacional
Países aumentaram mecanismos de financiamento para populações desfavorecidas seis vezes em 25 anos. Programas de merenda escolar dobraram de tamanho no mesmo período.
No ensino superior, um em cada três países não cobra mensalidades em universidades públicas. Quase metade subsidia alojamento estudantil e quatro em cada dez apoiam transporte.
Recomendações da Unesco
A Unesco recomenda incorporar metas nacionais aos processos de planejamento e orçamento dos países. Enfatiza maior eficiência no uso de dados disponíveis para monitorar participação e equidade educacional.
O organismo destaca que políticas também precisam ser monitoradas, não apenas resultados. Experiências estrangeiras devem ser analisadas e adaptadas à realidade local de cada nação.
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