*Da Redação*
Duas escolas brasileiras foram selecionadas entre as 50 melhores do planeta. A Escola Municipal GET IV Centenário, localizada no Rio de Janeiro, e a Escola Baniwa Kalipana, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, disputam o Prêmio Melhores Escolas do Mundo 2026.
Ambas integram as dez finalistas em suas respectivas categorias. O anúncio ocorreu na quinta-feira, 25 de janeiro.
Celebração nas comunidades
Em São Gabriel da Cachoeira, estudantes e lideranças indígenas receberam a notícia de forma emocionada. A Escola Baniwa Kalipana foi indicada na categoria Ação Ambiental e representa importante reconhecimento para a educação indígena amazônica.
Na Maré, bairro do Rio de Janeiro, a alegria foi igualmente intensa. A diretora do GET IV Centenário, Alessandra Aguiar, expressou a emoção do momento. “O coração está transbordando de alegria. É muito gostoso a gente receber esse reconhecimento em uma área vulnerável como é a nossa”, afirmou.
Superação de adversidades no GET
O GET IV Centenário funciona em meio a desafios sociais significativos. A Maré abriga um complexo de 16 favelas e registrou 231 operações policiais entre 2016 e 2025, conforme dados do projeto De Olho na Maré.
A escola desenvolveu o projeto Fábrica de Sonhos como resposta às necessidades emocionais dos alunos. O programa inclui momentos de escuta diária e acolhimento socioemocional, especialmente após operações policiais na região.
Alessandra explicou a importância do acolhimento: “A gente criou o Café com Música e Prosa para o acolhimento socioemocional. Eles precisavam falar. Eles precisavam colocar para fora.”
Resultados significativos
Os 20 minutos iniciais do dia dedicados à escuta transformaram indicadores educacionais. A escola zerou o abandono escolar e alcançou 97% de alfabetização na idade apropriada.
A metodologia foi reconhecida pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que prevê expandir o modelo para 350 escolas da rede municipal, com potencial para crescimento maior.
Educação indígena na Amazônia
A Escola Baniwa Kalipana estrutura seu ensino em saberes tradicionais e territoriais. Professores indígenas transmitem conhecimento na língua ancestral, integrando sistemas de conhecimento local ao currículo formal.
O modelo educacional baseia-se no sistema agrícola Káali, conhecimento indígena milenar. Este sistema conecta o cultivo de mandioca a ecologia, espiritualidade, saúde e vida comunitária.
A abordagem integra disciplinas como português e matemática ao conhecimento territorial, garantindo relevância para realidades locais indígenas.
Processo de votação e premiação
O World’s Best School Prizes é patrocinado pela T4 Education, Fundação Lemann, American Express e Accenture. Cinco categorias compõem a premiação: Inovação, Ação Ambiental, Colaboração Comunitária, Superação de Adversidades e Apoio a Vidas Saudáveis.
Votação popular permanece aberta até 29 de outubro pela internet. Os vencedores serão anunciados em novembro, recebendo prêmio em dinheiro para investimento institucional.
Vikas Pota, fundador e CEO da T4 Education, ressaltou durante o anúncio: “Essas escolas vêm de partes muito diferentes do mundo. O que elas compartilham é uma clara recusa em aceitar que excelência educacional seja reservada para algumas crianças.”
Summit internacional
Escolas vencedoras e finalistas serão convidadas ao World Schools Summit, em Londres, nos dias 16 e 17 de janeiro de 2027. O evento reúne educadores, formuladores de políticas e lideranças educacionais para troca de experiências e boas práticas.
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