*Da Redação*
O mercado pecuário se fortalece após o feriado de Finados, com oferta restrita de animais, frigoríficos em disputa por boiadas e expectativas de aumento na demanda chinesa. Consultorias apontam possibilidade de novas valorizações em novembro de 2026.
Nove semanas de valorização consecutivas
O boi gordo iniciou novembro com novos sinais de valorização, continuando movimento que se estende por nove semanas seguidas. A oferta limitada de animais terminados, a reposição das escalas de abate e a expectativa de maior movimento das exportações sustentam as negociações.
Em algumas regiões, negociações já ultrapassaram a marca de R$ 400 por arroba. Na terça-feira (3), primeiro dia útil após o feriado, a Scot Consultoria registrou valorização de R$ 2 por arroba em São Paulo.
Referências em São Paulo e média nacional
A Scot Consultoria elevou a referência do boi gordo paulista para R$ 387 por arroba a prazo. Para animais destinados à exportação para a China, a cotação alcançou R$ 390 por arroba, com prêmio de R$ 3 em relação ao boi comum.
A Agrifatto confirma a tendência: a cotação média do boi gordo completou a nona semana consecutiva de alta, renovando seu recorde nominal. O fortalecimento abre possibilidade de novas valorizações, embora dependa da demanda efetiva de carne nos mercados interno e externo.
Médias regionais e diferenças entre estados
Segundo a Safras & Mercado, as médias regionais de 3 de novembro foram: São Paulo R$ 391,75, Minas Gerais R$ 385,29, Mato Grosso do Sul R$ 382,61, Goiás R$ 376,25 e Mato Grosso R$ 367,64.
A diferença entre a maior e menor média alcança R$ 24,11 por arroba entre os cinco estados. O resultado evidencia que o mercado continua apresentando condições distintas de oferta e demanda em cada região.
Oferta limitada sustenta a valorização
O principal fundamento da valorização permanece sendo a disponibilidade limitada de bovinos terminados. Conforme a Agrifatto, as escalas de abate registravam média nacional de 7,1 dias, nível que revela dificuldades da indústria para ampliar sua programação.
Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, observa que muitas indústrias operam com escalas entre cinco e seis dias úteis, mantendo necessidade constante de compras. A combinação entre oferta ajustada e expectativa de demanda mais aquecida no último bimestre do ano permanece favorável ao mercado físico.
Projeção de R$ 420 e expectativas para exportação
Durante entrevista ao CompreRural em 26 de outubro, Iglesias apresentou a possibilidade de a arroba atingir R$ 420 na primeira quinzena de novembro. A projeção permanece condicionada à manutenção dos fundamentos positivos e à ausência de medidas que reduzam a disputa pela cota chinesa.
O especialista destaca que a indústria exportadora pode intensificar a compra de boiadas para formar estoques e organizar embarques ao mercado chinês. A projeção permanece no radar, mas não deve ser confundida com uma cotação consolidada no mercado físico.
Demanda chinesa como elemento crucial
O comportamento da China será um dos elementos mais importantes para o mercado pecuário nas próximas semanas. A cota brasileira prevista para 2027 é de 1,128 milhão de toneladas.
Como o transporte marítimo exige semanas entre o embarque no Brasil e a chegada à Ásia, negociações antecipadas podem resultar em embarques ainda este ano. O atendimento da demanda de 2027 depende dessas operações prévias.
Fonte: CompreRural
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