Da Redação
Preocupação no setor produtivo
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) manifestou profunda preocupação com a decisão da China de aplicar medidas de salvaguarda contra a carne bovina brasileira. O anúncio, realizado nesta quarta-feira (31), estabelece uma tarifa adicional de 55% para o volume de carne que ultrapassar as cotas anuais permitidas. Consequentemente, a medida, que entra em vigor nesta quinta-feira (1º), deve impactar o planejamento dos produtores rurais até o fim de 2028.
Dessa forma, a entidade ressalta que qualquer mudança nas regras do principal parceiro comercial de Mato Grosso reflete imediatamente na rentabilidade do campo. “A situação gera incertezas sobre preços e renda”, destacou a associação em nota oficial. Além disso, a Acrimat reforça que o mercado chinês absorve atualmente mais da metade da produção exportada pelo estado.
Impacto direto no bolso do pecuarista
Historicamente, as oscilações econômicas no mercado internacional atingem o elo mais frágil da corrente produtiva. De acordo com a Acrimat, o produtor rural costuma arcar com os custos de crises sanitárias ou barreiras comerciais. Nesse sentido, a associação citou o recente episódio de taxas impostas pelos Estados Unidos, que resultou na queda acentuada nos preços da arroba.
Por outro lado, a entidade defende que os grandes frigoríficos possuem estrutura para redirecionar o excedente para outros países. Portanto, as indústrias devem evitar manobras especulativas que penalizem o pecuarista brasileiro. Afinal, a capacidade de pulverizar as exportações permite que o impacto da sobretaxa chinesa não seja transferido integralmente ao campo.
Números e dependência do mercado chinês
Os dados do Ministério do Comércio da China (Mofcom) fixam limites graduais para os próximos anos. Para 2026, a cota sem sobretaxa será de 1,106 milhão de toneladas, subindo para 1,154 milhão em 2028. Entretanto, os números de 2025 já mostram um desafio: até novembro, o Brasil exportou 1,499 milhão de toneladas para os chineses, superando amplamente os novos tetos estabelecidos.
Em Mato Grosso, a dependência do gigante asiático cresceu significativamente. Segundo a Secex, a China foi o destino de 54,88% dos embarques de carne mato-grossense entre janeiro e novembro de 2025. Por isso, a Acrimat cobra uma postura firme do Governo Federal na defesa de quem produz, buscando mitigar os danos dessa nova barreira tarifária.
FAQ
1. Qual o valor da nova tarifa chinesa? A China aplicará uma sobretaxa de 55% sobre o volume de carne bovina que exceder as cotas anuais estabelecidas para cada país exportador.
2. Quando as novas regras começam a valer? As medidas de salvaguarda entram em vigor no dia 1º de janeiro de 2026 e permanecem vigentes até 31 de dezembro de 2028.
3. Qual a importância da China para a carne de Mato Grosso? Atualmente, a China é o principal comprador, sendo responsável por mais de 54% de toda a carne bovina exportada pelo estado em 2025.
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