Da Redação
Colheita avança com dificuldades climáticas
A safra 2025/26 de soja em Mato Grosso atingiu 89,15% de colheita até 6 de março, conforme Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. Apesar do ritmo acelerado, produtores enfrentam chuvas intensas que comprometem qualidade e aumentam perdas.
Regiões do extremo norte estadual registram acúmulo de até 1,9 mil milímetros de chuva entre janeiro e fevereiro. O solo encharcado impossibilita entrada de máquinas e deteriora grãos no campo.
Perdas significativas em propriedades
Produtores da região de Matupá relatam prejuízos variando entre 5% e 40% da produção. Fernando Bortolin, presidente do Sindicato Rural de Matupá, alertou para consolidação de perdas caso chuvas persistam em março.
Richelli Cotrim, que cultiva 8,5 mil hectares, relata 1,5 mil hectares prontos para colheita com problemas de qualidade já aparentes. Nelson Lorena Néia Júnior cultiva 3,7 mil hectares e registra máquinas atolando em áreas encharcadas.
A expectativa inicial de colheita entre 75 e 80 sacas por hectare reduziu-se em 8 a 10 sacas por hectare devido aos eventos climáticos adversos.
Infraestrutura deficiente amplia gargalos
Estradas estaduais não pavimentadas, especialmente a MT-322, limitam escoamento da produção. Agricultores realizam intervenções próprias para manter tráfego, indicando negligência estatal.
Contratos de pavimentação existem com recursos destinados, mas resultados não chegaram ao campo. Produtores criticam falta de asfalto e dependência de vias precárias.
Portos e transporte comprometem rentabilidade
Filas nos terminais de Miritituba (PA) aumentam tempo de viagem de dois ou três dias para uma semana. Trajetos prolongados deterioram qualidade da soja e elevam custos logísticos.
Alexandre Falchetti destaca que grãos perecíveis perdem qualidade quando deixados três dias em caminhões. O frete para transportar soja de Sinop a Miritituba custa em torno de R$ 20 por saca.
Com soja vendida por menos de R$ 100 a saca, a operação torna-se economicamente inviável para produtores. Falta de armazenagem estadual força uso de caminhões como silos provisórios.
Demanda por investimentos estruturais
Líderes do setor defendem ferrovia Ferrogrão conectando Mato Grosso ao Porto de Miritituba. Projeto reduziria frete em 30% a 40% e desafogaria rodovias estaduais.
Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT, aponta necessidade urgente de ampliar capacidade de armazenagem estadual. Investimentos estruturais garantiriam maior competitividade ao setor produtivo.


