Da Redação
Produção alta, rentabilidade baixa
O encerramento do ano-safra 2024/2025 deixa um alerta claro para o campo. Embora as lavouras estejam cheias e o clima tenha sido favorável, a crise financeira no agro em Mato Grosso preocupa os produtores. De fato, a combinação de preços abaixo do esperado, crédito restrito e juros elevados comprometeu severamente a rentabilidade. Consequentemente, o setor encerra a temporada com margens apertadas, o que dificulta o planejamento financeiro para o próximo ciclo em 2026.
Relatos de Jaciara
Em Jaciara, o clima contribuiu para o bom desempenho da soja, milho e algodão. No entanto, os preços das commodities não acompanharam a alta dos custos. Segundo o agricultor Gilson Provenssi, o lucro serviu praticamente apenas para pagar os juros da produção. Além disso, ele precisou vender mais de mil cabeças de gado para garantir o custeio da próxima safra. Para ele, a conta não fecha, especialmente para quem trabalha com áreas arrendadas e depende de financiamento bancário.
Mudança de estratégia
O atraso no plantio da soja também apertou a janela agrícola. Por isso, Gilson teve que abortar o plantio de 800 hectares de algodão e voltar para o milho. Adicionalmente, o produtor vai testar o cultivo de amendoim em áreas mistas. Afinal, o arroz cultivado anteriormente apresentou baixa produtividade e preços desfavoráveis. Assim, os agricultores buscam alternativas viáveis para sobreviver a esse cenário adverso e manter a operação funcionando.
Cautela no Médio-Norte
A situação se repete na região de Nova Mutum. Lá, o aumento dos custos e a seca no início do ciclo forçaram uma redução nos investimentos. De acordo com Paulo Zen, presidente do Sindicato Rural local, muitos produtores cortaram despesas e reduziram a mão de obra nas fazendas. Nesse contexto, a cautela se tornou a regra. Portanto, o foco agora é segurar os custos e manter a estrutura mais enxuta possível para atravessar o período de turbulência.
Dívidas e incertezas fiscais
A renegociação de dívidas também enfrenta obstáculos significativos. Conforme Lucas Costa Beber, da Aprosoja-MT, muitos bancos não cumprem os acordos estabelecidos com o setor. Paralelamente, a indefinição fiscal e a proximidade da reforma tributária aumentam a apreensão. Para Vilmondes Tomain, da Famato, a falta de sinalização positiva do mercado, somada à perspectiva de aumento de impostos, agrava a crise financeira no agro e deixa o produtor descapitalizado.
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