Da Redação
Impacto financeiro e operacional
Produtores rurais de Mato Grosso acompanham desdobramentos da política de frete mínimo no estado. Conforme lideranças do setor, a tabela pode aumentar custos de produção em até 30%. A medida pressiona margens financeiras que já operam no limite técnico. Há preocupação com possível comprometimento do escoamento da safra atual.
A Aprosoja Mato Grosso argumenta que o modelo de cálculo provoca distorções graves no mercado. Segundo o presidente Lucas Costa Beber, a tabela penaliza especialmente caminhoneiros autônomos. O engessamento dos preços reduz competitividade de proprietários de veículos menores. O mercado perde flexibilidade necessária para operar eficientemente no campo.
O fim do frete de retorno
Uma das principais reclamações envolve inviabilidade do chamado “frete de retorno”. Tradicionalmente, motoristas aproveitam a volta para transportar calcário ou fertilizantes. A obrigatoriedade do piso mínimo impede essas negociações diretas entre partes. Muitos caminhoneiros preferem retornar vazios, o que encarece a logística final.
O impacto atinge diretamente municípios como Gaúcha do Norte no estado. O produtor Adalberto Grando relata custos de até R$ 500 por tonelada para levar produção aos portos. Esse valor equivale a cinco sacas de soja perdidas. A viabilidade econômica do negócio fica ameaçada em áreas com infraestrutura precária.
Perspectivas e inflação aos consumidores
O setor produtivo alerta para reflexos diretos na economia nacional e para consumidores. A Aprosoja-MT avalia que o tabelamento gerará efeito cascata nos preços dos alimentos. Haverá alta no valor de alimentos e combustíveis para toda a população. Entidades buscam diálogo com Ministério dos Transportes para revisar cálculos atuais.
O Movimento Pró-Logística destaca que custos de fertilizantes já sofrem reflexos da medida. Atualmente, poucos caminhões retornam dos portos com insumos agronômicos necessários. A baixa eficiência logística encarece produtos que chegam às fazendas produtoras. O cenário consolida incertezas para os próximos ciclos agrícolas de Mato Grosso.
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