Da Redação
Gargalo logístico paralisa terminais portuários
Más condições da estrada que acessa os terminais de Miritituba, em Itaituba (PA), geram longas filas de caminhões carregados de soja. O cenário preocupa o setor produtivo de Mato Grosso durante o pico da colheita. O gargalo impacta diretamente no custo do frete para produtores e transportadores.
Pátios de postos de combustíveis estão lotados com filas atingindo cerca de 30 quilômetros. Motoristas do norte mato-grossense e sudeste paraense esperam dias para descarregar suas cargas. Segundo o caminhoneiro Rony Lima, ninguém conclui o processo em menos de dois dias.
Transportistas denunciam precariedade nas vias
Profissionais do transporte enfrentam buracos e confusão nas estradas de acesso. Mauro Dioniz da Silva relatou que viagens de três dias geram prejuízo financeiro pela retenção. A falta de estrutura básica afeta principalmente quem transporta cargas perigosas.
Normas de segurança impedem uso de fogões nos veículos durante a permanência nas filas. Gilson Carlos Martins Sales defende que pavimentação e duplicação são soluções definitivas. Trechos que deveriam levar poucas horas ultrapassam um dia inteiro de espera.
Infraestrutura insuficiente no acesso a Miritituba
O principal entrave logístico está no acesso ao distrito, não dentro dos portos, conforme a Faepa. Trechos sem asfalto com lama impedem tráfego em dias chuvosos, agravando congestionamentos. Cerca de 2,5 mil a 3 mil carretas descarregam diariamente na região.
Os terminais operam com pátios vazios enquanto caminhões ficam retidos na rodovia, explica o gerente Cliver Matheus Tavares da Costa. Embora existam sistemas de agendamento, a via não comporta o volume de veículos. Cinco novas empresas de grãos ampliarão ainda mais a pressão sobre a malha viária.
Produtor rural absorve custos da ineficiência logística
O setor produtivo mato-grossense arca com custos da ineficiência no corredor Norte. Paulo Zen, presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum, informou perdas entre R$ 10 e R$ 15 por saca. A rentabilidade da atividade é comprometida logo no início do escoamento.
Uma comitiva do Sistema Famato com representantes de 20 sindicatos rurais monitora a situação. Aproximadamente 17 milhões de toneladas de soja saíram de Mato Grosso pelos portos do Norte no último ano. Vilmondes Tomain, presidente da entidade, afirma que o transbordo nas barcaças é eficiente, mas o acesso terrestre precisa acompanhar o crescimento.
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