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Radar 364 > Economia > Copom mantém Selic em 13,75% e sinaliza juros elevados
Economia

Copom mantém Selic em 13,75% e sinaliza juros elevados

Por Pablo Publicados 4 de novembro de 2026
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5 Min. de Leitura
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Da Redação

Conteúdo
Por que o Copom parou de cortar a Selic?Risco fiscal: Como as contas públicas pressionam os jurosPerspectivas para juros até 2027

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão interrompe um ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.

A piora nas expectativas de inflação e as incertezas fiscais pesaram na avaliação do comitê. O quadro externo adverso com conflitos no Oriente Médio também pressionou a cotação do petróleo, conforme o comunicado.

Economistas avaliam que a pausa reforça a credibilidade do Banco Central no controle inflacionário. A instituição sinalizou que a Selic deve permanecer em um patamar restritivo por período mais prolongado.

Para Marco Antonio Caruso, economista-chefe do Santander, o Comitê enfatizou estar a Selic “substancialmente contracionista”. Isso dá pistas de que a pausa não é encerramento definitivo, mas estratégia para controlar expectativas.

A retirada da expressão “magnitude total do ciclo de calibração” do comunicado pode indicar extensão da pausa além de dezembro. Cristiano Oliveira, diretor executivo do Banco Pine, considera essa possibilidade.

Na avaliação da XP, o Comitê aponta que a interrupção nos cortes deve conter pressões inflacionárias. O Banco Central “não vislumbra, por ora, a necessidade de postura ainda mais contracionista”. A pausa deve manter o juro no patamar atual, sem perspectiva imediata de elevação.

Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, pontua que a pausa demonstra rigor da autoridade monetária. Contudo, “a barra para debater alta é elevada. Estratégia é higher for longer”, afirma.

Por que o Copom parou de cortar a Selic?

O diagnóstico da conjuntura apresentado pelo Banco Central sofreu alterações significativas. O ambiente externo deixou de ser incerto e passou a “mais adverso”, conforme Arnaldo Lima, economista da Polo Capital.

O Copom destacou os impactos do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio sobre preços do petróleo. A manutenção de condições monetárias restritivas nas economias avançadas também influenciou a análise.

No cenário interno, o Comitê reconheceu moderação mais acentuada da atividade. O mercado de trabalho, apesar de resiliente, apresentou sinais de desaquecimento na margem.

A inflação cheia e os núcleos voltaram a acelerar e estão acima do teto da meta, conforme destacado. Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, ressalta que o balanço de riscos possui “assimetria altista” explícita.

Saadia incorpora a resiliência da inflação de serviços e o câmbio persistentemente depreciado na análise do cenário atual.

Risco fiscal: Como as contas públicas pressionam os juros

O peso da questão fiscal foi evidenciado pelos especialistas como motor dessa dinâmica. Josias Bento, sócio da GT Capital, alerta que “se não houver sinalização de responsabilidade fiscal, convivemos com juros elevados por mais tempo”.

Gustavo Assis, CEO da Asset, reforça a urgência de ajuste estrutural das contas públicas. Para Assis, “não é sustentável exigir que apenas os juros controlem desequilíbrios econômicos”.

Representantes do setor produtivo criticaram o nível contracionista da taxa. Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (APAS), argumenta que a taxa real penaliza comércio e serviços.

Queiroz ressalta que juros elevados dificultam o crescimento quando a inflação acumulada está próxima ao teto da meta.

Perspectivas para juros até 2027

A piora no quadro prospectivo contaminou as projeções para próximos anos. As expectativas do Boletim Focus subiram para 5,2% em 2026 e 4,8% em 2027.

A projeção do Copom para o horizonte relevante (segundo trimestre de 2028) passou de 3,2% para 3,5%. As mudanças refletem deterioração nas expectativas inflacionárias.

Para Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, choques inflacionários projetados para início de 2027 podem impedir retomada do ciclo de cortes. Os efeitos do El Niño, fim da escala 6×1 e nova tributação (IVA) estão entre eles.

Casas como a XP projetam manutenção da taxa em 13,75% até final de 2027. Parte do mercado enxerga flexibilizações marginais condicionadas a melhora do risco fiscal.

Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, avalia retomada do ciclo de cortes em meados do próximo ano. Padovani projeta Selic em 12,50% no fim de 2027.

O cenário-base da Polo Capital é de Selic em 12% ao fim de 2027. José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, é mais pessimista.

Camargo adverte que forte desvalorização cambial e deslocamento da curva de juros podem exigir elevação da taxa já nas próximas reuniões do Copom.

Fonte: InfoMoney

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