Da Redação
O Produto Interno Bruto avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026, superando levemente as projeções do mercado. Contudo, análise detalhada dos dados revela sinais alarmantes de desaceleração econômica, particularmente em segmentos sensíveis à política de juros elevados.
A expansão do segundo trimestre foi impulsionada principalmente por agropecuária e indústria extrativa mineral, setores menos afetados pelo ciclo econômico doméstico. Simultaneamente, componentes dependentes de crédito registraram retrações significativas. Consumo das famílias, indústria de transformação e construção civil apresentaram quedas expressivas.
Indicadores revelam economia em perda de tração
Rodolfo Margato, economista da XP, qualificou os resultados desagregados como fracos, apontando sinais de economia enfraquecida apesar de mercado de trabalho resiliente. Segundo sua análise, o consumo das famílias ficou bem aquém das projeções iniciais.
Leonardo Costa, do ASA, identificou redução de dinamismo nos setores cíclicos da economia doméstica. Consumo das famílias, indústria de transformação e construção continuam perdendo velocidade, com indicadores sugerindo essa fraqueza persistir no terceiro trimestre.
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, observou que o desempenho qualitativo revelou-se mais debilitado do que o resultado agregado sugere.
Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, alertou para o forte arrefecimento no setor de serviços. A expansão desacelerou de 2,1% no primeiro trimestre para 1,5% no segundo trimestre na comparação anual.
Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, evidenciou o impacto contundente dos juros na indústria de transformação. Projeta diminuição do desempenho agrícola no terceiro trimestre enquanto o aperto monetário continua espraiando-se pela economia.
Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, enfatizou que a queda no consumo e a absorção doméstica praticamente estável demonstram perda de tração da demanda interna, criando viés negativo para a atividade nos próximos trimestres.
Mercado revisa projeções para os próximos anos
Diante dos dados trimestrais fracos, instituições financeiras revisaram suas projeções de crescimento e expectativas para a taxa Selic nos próximos períodos.
A XP atribuiu viés baixista à sua projeção de 2% para o PIB de 2026, antecipando estagnação econômica no segundo semestre. Para 2027, projeta expansão de apenas 1%, alertando para riscos de desempenho ainda mais fraco. Nos juros, espera três cortes sucessivos de 0,25 ponto percentual, com Selic finalizando 2026 em 13,25% e atingindo 11,5% em 2027.
O ASA revisou sua projeção de avanço do PIB de 2026 de 2,0% para 1,8%. Projeta crescimento modesto de 0,2% para o terceiro trimestre e expansão de 1,5% para o PIB de 2027.
O Banco Daycoval ajustou a estimativa para o PIB de 2026, revisando de 1,7% para 1,8% no encerramento do ano. Alerta que projeta crescimento no segundo semestre variando entre 0,15% e 0,2%, impactado pela desaceleração contínua dos itens cíclicos.
O Banco BV trabalha com cenário de desaceleração à frente, prevendo crescimento reduzido de 0,2% no terceiro trimestre. Mantém a projeção para alta do PIB de 1,9% no acumulado do ano.
Fonte: InfoMoney
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