Da Redação
Durante quase uma década, times brasileiros em jogos EA significavam improviso: elencos genéricos, escudos alternativos e sensação de invisibilidade. No EA SPORTS FC 26, esse panorama começou a mudar de forma gradual, baseado em negociações fragmentadas de licenciamento.
O FC 26 foi lançado mundialmente em 26 de setembro de 2025, com mais de 35 ligas licenciadas. O Brasil, porém, não apareceu como Brasileirão completo no lançamento. A presença parcial de clubes brasileiros permite simular partidas, formações e cenários reais dos times do país. A ausência da liga completa relaciona-se a direitos comerciais fragmentados e ao tema sensível: direito de imagem dos atletas, frequentemente associado à Lei Pelé.
Clubes negociando em blocos diferentes
Nos últimos anos, clubes brasileiros organizaram-se em blocos comerciais distintos para negociar direitos. O primeiro acordo relevante envolveu a Liga Forte União (LFU). Esse acordo permitiu que 12 clubes da Série A fossem incluídos já no lançamento mundial, ainda que parcialmente.
Clubes da LFU que retornaram ao FC 26 incluem: Botafogo, Fluminense, Fortaleza, Vasco da Gama, Athletico Paranaense, Cuiabá, Criciúma, Juventude, Atlético Goianiense e Coritiba. Esses times entraram classificados como “Rest of World”, não como parte de uma liga brasileira estruturada.
Direitos de imagem e a Lei Pelé como obstáculo
Mesmo com escudos e uniformes licenciados, existe gargalo adicional: o direito de imagem individual dos jogadores. Diferentemente de ligas como Premier League, no Brasil esses direitos não são totalmente centralizados.
A Lei Pelé exige, em muitos casos, acordos individuais com atletas, dificultando licenças coletivas amplas. Isso cria cenário onde o clube está plenamente licenciado, mas elenco aparece parcial ou genérico.
Por que surgiu o “Rest of World” no lugar da Série A
Informações da imprensa especializada apontam para estratégia clara: introduzir primeiro clubes da LFU, mesmo sem liga completa, para depois expandir conteúdo. A categoria “Rest of World” funcionou como porta de entrada técnica.
Esse modelo permitiu que clubes fossem jogáveis em modos como Carreira e Ultimate Team enquanto negociações avançavam. A EA já utilizou essa abordagem em outros mercados com licenciamento fragmentado.
LIBRA e a entrada como atualização posterior
Clubes como Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Santos vinculam-se à LIBRA, bloco que estava ligado a acordos anteriores de exclusividade com eFootball (Konami). A expectativa passou a ser entrada desses times por atualização posterior ao lançamento.
Esse modelo de integração faseada é comum em jogos esportivos e reduz riscos legais e comerciais. Não existe documento público confirmando datas exatas para cada clube.
O impacto prático para jogadores
Mesmo com entrada parcial, o retorno dos clubes brasileiros já gera impacto real em dois modos centrais do FC 26. A presença de Botafogo, Fluminense ou Fortaleza permite simular trajetórias próximas da realidade do futebol sul-americano.
No Modo Carreira, a experiência reflete projetos de médio prazo, vendas para a Europa e limitações orçamentárias reais. No Ultimate Team, o impacto é visual e emocional, com escudos e uniformes oficiais.
O Brasileirão voltou? Uma resposta precisa
A resposta mais precisa é: sim, mas de forma progressiva. O FC 26 foi lançado em setembro de 2025 com ampla cobertura de ligas, mas sem Brasileirão completo. O principal entrave segue sendo direitos de imagem e estrutura jurídica fragmentada.
Um retorno que reflete o próprio futebol brasileiro
O retorno não é apenas um evento gamer — escancara a realidade estrutural do país: negociações descentralizadas, blocos concorrentes e processos jurídicos lentos. Ainda assim, clubes voltam a ser tratados como ativos licenciáveis relevantes.
A possível entrada do Palmeiras em futuras edições levanta discussão interessante sobre fidelidade de simulações e análises de desempenho. A tendência indica evolução por camadas: primeiro clube, depois elenco cada vez mais fiel e, por fim, pacote completo de liga.
Cada retorno individual funciona como sinal claro de que futebol brasileiro voltou ao radar global, não só dos games, mas do ecossistema esportivo como um todo.
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