
O Corinthians viveu um 2025 de extremos. Campeão paulista e da Copa do Brasil, o clube voltou a levantar taças no cenário nacional depois de oito anos, mas atravessou uma temporada marcada também por eliminações continentais precoces, troca de comando técnico, lesões de jogadores e uma grave crise política que culminou no impeachment do presidente.
O ano começou agitado no Parque São Jorge, mesmo que fora de campo. Nos bastidores, o caso envolvendo a patrocinadora VaideBet tomou grandes proporções ainda no fim de 2024, quando o impeachment do presidente Augusto Melo começou a ser considerado.
No meio da crise política vieram as decepções nas competições internacionais. Com a eliminação precoce na Pré-Libertadores, diante do Barcelona de Guayaquil, e o desempenho ruim no início da fase de grupos da Copa Sul-Americana, na fase de grupos, o Corinthians não conseguiu sustentar o desempenho esperado e foi alvo de críticas.
A queda precoce na Libertadores aumentou a pressão sobre elenco e comissão técnica logo nos primeiros meses da temporada. O Timão, entretanto, surpreendeu positivamente dentro de campo e buscou o título do Campeonato Paulista, diante do rival Palmeiras, no dia 27 de março.

Mesmo assim, o título não foi suficiente para evitar mudanças no Timão. Em 17 de abril, o técnico Ramón Díaz e seu filho, Emiliano, fora, demitidos após 8 meses de trabalho e a conquista do Paulistão. Os argentinos deixaram o Corinthians com 59% de aproveitamento.
Quase duas semanas depois, depois de um acerto em vão com o técnico Tite, que priorizou a saúde mental, o técnico Dorival Júnior foi anunciado, com contrato até o fim de 2026. Em uma situação difícil na Sul-Americana, nem a chegada do técnico experiente foi capaz de evitar a eliminação do Corinthians, em 27 de maio, ainda na fase de grupos da competição.
Em meio às dificuldades no campo, o até então presidente Augusto Melo foi afastado dos trabalhos no Corinthians no dia 26 de maio, após pleito no Conselho Deliberativo do clube. Somada a eliminação no torneio internacional, a instabilidade politica reascendeu uma fase conturbada no Alvinegro.

O Corinthians também enfrentou problemas com lesões durante a temporada. O trio estrelado “GYM”, formado por Rodrigo Garro, Yuri Alberto e Memphis Depay, atuou junto como titulares em poucas oportunidades ao longo do ano. Entre lesões da coxa, cirurgia de hérnia inguinal, problemas na panturrilha e tratamentos no joelho, os “astros” do Timão enfrentaram dificuldades ao longo de 2025. Mesmo assim, o camisa 9 foi o artilheiro da temporada alvinegra, com 19 gols, seguido pelo holandês, com 12.
Em 9 de agosto, foi anunciado o impeachment de Augusto Melo. O ex-presidente segue sendo alvo de investigações por associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. Com a saída dele, o então vice-presidente Osmar Stábile assumiu a presidência do Corinthians e permanece no comando do clube até o momento.
No Brasileirão, o Corinthians continuou oscilante, com uma campanha mediana. Sem flertar com a zona de rebaixamento ou com as primeiras colocações, o time apostou suas forças na Copa do Brasil. Em uma campanha histórica, com uma defesa consolidada e 100% de aproveitamento fora de casa, o Timão eliminou o Palmeiras nas oitavas de final, vencendo na Neo Química Arena e no Allianz Parque.
Nas quartas, bateu o Athletico Paranaense na La Ligga Arena e em Itaquera, garantindo a vaga para a semifinal no fim de agosto.
Depois da pausa para o Campeonato Brasileiro, seguindo a nova agenda da CBF, o Corinthians manteve a sua instabilidade no Brasileirão e ficou somente na 13ª colocação, com 47 pontos.
Os holofotes corinthianos na reta final do Brasileirão se viraram para o jogo contra o Cruzeiro, na 35ª
rodada. Em uma possível “prévia” do que seria o confronto na semifinal da Copa do Brasil em Belo Horizonte, a Raposa dominou o Timão e venceu por 3 a 0, ascendendo o alerta no clube paulista.
Nas 38 rodadas, o Corinthians conquistou apenas 12 vitórias, 11 empates e 15 derrotas. Com 42 gols marcados e 47 sofridos, terminou o campeonato com a vaga na Copa Sul-Americana.
Dezembro chegou e, logo após o fim do Brasileirão, o Timão pôde finalmente focar na Copa do Brasil. Contra o Cruzeiro, Memphis Depay consagrou a vitória corinthiana por 1 a 0 em Belo Horizonte. No jogo da volta, os cruzeirenses conseguiram o triunfo por 2 a 1.
Com o resultado, Hugo Souza chamou a responsabilidade nas penalidades. O goleiro defendeu duas vezes, inclusive o pênalti decisivo de Gabigol, e Breno Bidon garantiu a vaga do Timão na final.
+LEIA MAIS: Amiga de Andrés Sanchez se pronuncia sobre uso de cartão do Corinthians

Na grande decisão, o depois de um empate sem gols na Neo Química Arena, a decisão foi para o Maracanã. No Rio, o Corinthians reforçou a boa campanha fora de casa e venceu por 2 a 1, com gols de Yuri Alberto e Memphis.
Dessa forma, o Corinthians encerrou a temporada com mais um título. Além da premiação em dinheiro, o clube também garantiu a vaga na Libertadores de 2026.
Mesmo depois da conquista, os bastidores alvinegros seguiram movimentados. Fabinho Soldado deixou o clube na última semana de 2025, após o título, e o Corinthians precisou trabalhar rapidamente para repor a posição de executivo de futebol. Dessa forma, Marcelo Paz foi anunciado como o primeiro “reforço” do Timão para 2026, mesmo que fora dos campos.
Em um ano marcado por contrastes, o Corinthians mostrou capacidade de reagir dentro de campo mesmo em meio ao caos institucional. As taças levantadas em 2025 entram para a história, mas mantém longe de um cenário de tranquilidade e deixam claro que resultados esportivos não garantem estabilidade.
Para 2026, o clube carrega conquistas, lições e cobranças, sinalizando que os bastidores começam com a exigência de respostas rápidas para manter o clube competitivo.

