Da Redação
Fundado há exatamente 100 anos, em 9 de novembro de 1925, o Mirassol Futebol Clube alcançou patamares inimagináveis por seus fundadores. O objetivo inicial era representar a cidade em amistosos e torneios regionais, quando o município contava pouco mais de cinco mil habitantes. A profissionalização veio apenas em 1951.
Os primeiros passos
O protagonismo real do Mirassol iniciou-se no século XXI, especificamente em 2008, ao disputar pela primeira vez a elite do Campeonato Paulista. A partir desse momento, o Leão começou uma escalada acelerada nos cenários estadual e nacional.
A transformação ganhou força após a venda de Luiz Araújo ao Lille, em 2017. Os recursos obtidos permitiram construir um moderno centro de treinamento e implementar uma gestão inovadora, resultando no acesso à Série A do Brasileirão no ano do centenário.
Do cenário de “sem divisão” em 2019, o time amarelo-verde conquistou três acessos e dois títulos nacionais: Série D em 2020 e Série C em 2022.
A história antes da profissionalização
A fundação ocorreu em uma segunda-feira, com propósito de representar o município em competições locais. A profissionalização veio em 1951, mas durou pouco. Em 1960, o Leão voltou a disputar divisão estadual, conquistando acesso à terceira divisão onde surgiu o rival GREC.
Em 1964, Mirassol e GREC uniram-se, formando o Mirassol Atlético Clube. A fusão trouxe mudanças profundas, inclusive nas cores: azul e branco. O time disputou 11 edições do Paulistão em 18 anos de existência.
A união encerrou-se em 1981, com extinção do GREC. O Mirassol retomou as cores amarelo-verde e o nome original, transitando entre segunda e terceira divisão estadual. Conquistou a Série A3 em 1997 e o terceiro lugar na A2 em 2007, marcando nova era.
Os estádios que sediam o Leão
Nos primeiros anos, o time atuava no Estádio Giocondo Zancaner, modesto campo com capacidade estimada não superior a cinco mil pessoas. Foi ali que ocorreu o primeiro acesso do clube. O local não existe mais; resta arquibancada demolição pendente para construção comercial.
Desde 1964, o Mirassol utiliza o Estádio Municipal José Maria de Campos Maia, o “Maião”, nome em homenagem ao empresário e ex-prefeito doador do terreno. Comporta cerca de 19 mil espectadores e vivenciou momentos históricos, como goleada por 6 a 2 sobre o Palmeiras em 2013.
Com a ascensão ao futebol brasileiro de elite, o estádio recebeu investimentos. Antes da estreia na Série A, foram aplicados aproximadamente R$ 8 milhões em melhorias: sistema de reconhecimento facial, proteção de vidro, banheiros reformados e iluminação modernizada.
O centro de treinamento de ponta
A venda de Luiz Araújo ao Lille rendeu aproximadamente R$ 6,4 milhões ao clube. A maior parte desse valor, cerca de R$ 5,4 milhões, financiou construção de centro de treinamento moderno com aproximadamente 52 mil m².
O CT foi inaugurado em 2019 e recebeu investimentos posteriores superiores a R$ 15 milhões em modernização, com equipamentos unitários custando até R$ 400 mil. As instalações incluem quatro campos, 20 apartamentos para 40 pessoas, cápsula de flutuação, banheiras quentes e frias, refeitório, cozinha, sala de jogos, academia, fisioterapia, piscina e infraestrutura para base e profissionais.
A escalada desde 2019
Em 2019, o Mirassol nem disputava torneios nacionais. Participou da Série C em 1995 com desempenho fraco e esteve na Série D em múltiplas ocasiões, até conquistar o título em 2020. Duas temporadas na Série C precederam o título de 2022.
Na Série B de 2023, brigou pelo acesso mas terminou em sexto com 63 pontos. Em 2024, manteve solidez, figurou no G-4 quase toda temporada e confirmou acesso na última rodada, aproveitando força de jogar em casa.
No estadual, retornou à elite do Paulistão 83 anos após fundação, em 2008. Sofreu rebaixamento em 2013, mas retornou definitivamente em 2017. Desde então chegou a duas semifinais em 2020 e 2021, eliminou o São Paulo na semifinal de 2020 durante pandemia.
Os ídolos do Leão
Xuxa, nome artístico de Cássio Luís Rissardo, foi protagonista do início da ascensão com oito passagens, 153 jogos e 56 gols, o dobro do segundo artilheiro da história.
Camilo, meia que passou por Botafogo e Ponte Preta, vestiu camisa 10 e foi peça-chave no título de 2022. Em três passagens, somou 110 jogos e 28 gols. Negueba é recordista em partidas, chegou em 2022 com cerca de 160 jogos e tornou-se ídolo da torcida.
Alex Muralha, goleiro com passagem pela seleção brasileira, passou três vezes pelo Mirassol realizando defesas históricas, notavelmente em penalidades. Foi pilar na campanha que levou ao Brasileirão e declarou inúmeras vezes carinho pelo clube.
Estrutura, comando e perspectivas
Ivan Baitello, mirassolense e ex-jogador dos anos 90, integra comissão técnica desde 2000. Parte de família historicamente ligada ao clube, acompanhou toda estruturação que permitiu evolução ao patamar atual.
Rafael Guanaes comandou a fase mais recente, contratado com aval de Baitello. Sem experiência em Série A, apostou no desafio defendendo convicção própria e visão estruturada do futebol.
Com trajetória partindo de representatividade local, atravessando fusões e décadas em divisões inferiores, o Mirassol construiu base sólida para mirar além. O Brasil foi superado; horizonte agora é sul-americano em 2026.
Radar364 – O Seu Portal de Notícias de Rondonópolis e Região.

