Com 78 milhões de brasileiros em situação de inadimplência, o final do ano se apresenta como o momento ideal para reverter a situação, impulsionado pelo recebimento do 13º salário. O cartão de crédito e o cheque especial lideram o endividamento devido às taxas de juros elevadas (ultrapassando 450% e 130% ao ano, respectivamente).
O educador financeiro Everton Barros listou dez dicas essenciais para quem deseja transformar a situação e garantir o nome limpo.
As 10 Dicas para Sair das Dívidas:
1. Faça um Diagnóstico Completo da Situação Antes de qualquer negociação, você precisa de clareza total. Mapeie cada dívida, listando o valor principal, os juros acumulados, os prazos e o credor. Inclua tudo: cartões, empréstimos, financiamentos e até pequenas contas esquecidas. Consulte plataformas como Serasa e SPC Brasil para garantir que não há débitos desconhecidos.
2. Priorize as Dívidas com Juros Estratosféricos O foco deve ser nas dívidas mais caras. Siga esta ordem de ataque:
1º Prioridade: Cartão de crédito rotativo e parcelado.
2º Prioridade: Cheque especial.
3º Prioridade: Crediário e financiamentos de lojas.
4º Prioridade: Empréstimos pessoais convencionais.
Última Prioridade: Empréstimo consignado (que possui juros mais baixos).
3. Negocie com Estratégia O mês de novembro, com o 13º, é um período de “poder de barganha”. Aproveite o interesse dos credores em fechar acordos. Se for pagar à vista, inicie a oferta com um desconto de 30% a 40%. Se for parcelar, peça o menor número de vezes possível. É crucial priorizar acordos que limpem seu nome imediatamente (evite promessas de “até 5 dias úteis”). Utilize plataformas oficiais como Serasa Limpa Nome e o programa Desenrola Brasil.
4. Corte o Ciclo e Pare de Contrair Novas Dívidas O custo do crédito no Brasil é altíssimo. Enquanto não tiver estabilidade, corte imediatamente qualquer nova contratação de crédito:
Evite parcelamentos em lojas (que embutem juros).
Não use o crédito rotativo.
Não faça saques no cheque especial.
Jamais pegue novos empréstimos para pagar os antigos.
5. Monte um Orçamento Realista Estabeleça um limite máximo para o pagamento mensal das dívidas sem sacrificar o essencial (moradia, alimentação, saúde). O educador financeiro sugere a adaptação da regra 50-40-10:
50% para necessidades básicas.
40% para a quitação de dívidas.
10% para emergências mínimas.
Coloque pagamentos prioritários em débito automático para evitar juros por atraso.
6. Busque Renda Extra de Forma Estruturada Toda renda adicional deve ser direcionada para abater as dívidas mais caras. Algumas opções são: venda de itens não essenciais (eletrônicos, roupas), serviços freelancer na sua área de expertise (em plataformas como Workana ou 99Freelas), ou serviços sob demanda (aulas particulares, motorista).
7. Reserve um Valor Mínimo para Emergências Mesmo endividado, é paradoxalmente necessário ter uma reserva. Ela evita que um imprevisto (como a quebra de um carro) force você a recorrer novamente ao crédito caro. Comece com uma meta de R$ 500 a R$ 1.000 ou 5% da sua renda mensal, e guarde esse valor em uma conta que renda pelo menos 100% do CDI.
8. Evite Tentações de Fim de Ano O 13º salário, com valor médio estimado em R$ 3.096,78, não deve ser desperdiçado em consumo impulsivo. Destine-o com inteligência:
70% para negociar ou quitar dívidas prioritárias.
20% para a reserva de emergência.
10% para despesas essenciais do início do ano (IPTU, IPVA, material escolar).
9. Invista em Educação Financeira O conhecimento é a ferramenta que impede a reincidência. Apenas 10% dos jovens aprendem sobre finanças em casa, reforçando a necessidade de buscar informação. Use fontes gratuitas e de qualidade, como o canal oficial do YouTube do Banco Central, cursos da CVM ou o aplicativo da Serasa (que também ajuda a controlar o score).
10. Visualize e Deseje o Futuro Sem Dívidas Ter clareza sobre o propósito do seu esforço ajuda a manter a motivação nos momentos difíceis. O futuro com o nome limpo traz benefícios concretos: acesso a crédito mais barato (Score alto significa juros menores), abertura de portas para aluguel e financiamentos, e a satisfação de ter o dinheiro trabalhando a seu favor.


