Da Redação
Os principais países que integram o bloco Brics intensificaram a redução de estoques de títulos do Tesouro americano durante o último ano. Conforme dados atualizados do Departamento do Tesouro até outubro de 2025, Brasil, China e Índia executaram cortes significativos em suas participações. Essa movimentação ocorre em cenário de incertezas gerado pela política externa e econômica de Donald Trump.
Queda acentuada nos investimentos brasileiros
O Brasil lidera a redução percentual entre as três nações citadas. Em outubro de 2024, o país mantinha estoque de US$ 228,8 bilhões em títulos. Contudo, o governo brasileiro acelerou a liquidação desses ativos a partir de junho de 2025.
Consequentemente, o montante caiu para US$ 167,7 bilhões no início do último trimestre deste ano. A retração total atingiu 26,7%, representando o maior percentual de desinvestimento entre os Brics.
Movimentação estratégica da China e Índia
A China, que outrora ocupava posição de liderança global nesses ativos, agora figura na terceira posição do ranking. Em outubro de 2024, os chineses detinham US$ 760,1 bilhões, chegando a elevar para US$ 784,3 bilhões em fevereiro.
Entretanto, o recuo acelerou desde o meio do ano e reduziu o estoque para US$ 688,7 bilhões. Dessa forma, o país asiático fica atrás de Japão e Reino Unido na lista de maiores credores americanos.
A Índia seguiu caminho semelhante durante o período analisado. O estoque indiano era de US$ 241,4 bilhões no final de 2024, encolhendo para US$ 190,7 bilhões em outubro de 2025.
Portanto, a redução total somou 21%, consolidando o movimento de desinvestimento do bloco em papéis da dívida americana.
Alinhamento político e guerra tarifária
Especialistas apontam que a guerra tarifária promovida pela gestão Trump impulsionou essa debandada. Enquanto os países do Brics se afastam, aliados próximos de Washington seguem caminho oposto.
Por exemplo, o Japão ampliou sua liderança, atingindo a marca de US$ 1,2 trilhão em títulos do Tesouro. Além disso, o Reino Unido elevou seu estoque de US$ 746,5 bilhões para US$ 877,9 bilhões, reforçando apoio financeiro à economia dos Estados Unidos.
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