*Da Redação*
A administração Trump intensifica táticas de coerção contra imigrantes para atingir metas de deportação. Autoridades ameaçam processos criminais e separação familiar para pressionar aceitação de expulsão.
Caso ilustra pressão sobre famílias
Kelly e Yerson Vargas receberam ultimato de imigração no Texas: aceitar deportação ou enfrentar acusação criminal. A filha de seis anos, Maria Paola, seria encaminhada ao sistema de abrigos federais para crianças desacompanhadas.
O casal havia solicitado visto como vítimas de tráfico humano, relatando trabalho forçado e ameaças de morte. Email de 31 de outubro ameaçava processos com pena de até dez anos de prisão por resistência à deportação.
Estratégias de pressão se multiplicam
A Reuters identificou múltiplas táticas: ameaças de sentenças por cruzar fronteira ilegalmente, detenção prolongada sem oportunidade de libertação, e possível deportação para países terceiros.
Dezesseis advogados de imigração consultados relataram crescimento dessas práticas entre seus centenas de clientes. Condições de detenção superlotadas também forçam renúncia a direitos processuais.
Governo defende abordagem
Tom Homan, czar de fronteiras da Casa Branca, afirmou que todas as medidas são legais. “Estamos usando todas as ferramentas disponíveis”, declarou em entrevista à Reuters.
Tricia McLaughlin, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, sustentou que agentes informaram adequadamente sobre consequências legais. Negou ameaças diretas aos imigrantes.
Meta de deportações e ritmo atual
Trump anunciou intenção de deportar um milhão de pessoas anualmente. Dados indicam que até quarta-feira passada, mais de 605 mil foram expulsas desde sua posse.
Este ritmo sugere aproximadamente 700 mil deportações até fim do ano, aquém da meta estabelecida. Ativistas alertam que metas numéricas pressionam processamento acelerado.
Críticos apontam “crueldade calculada”
Elora Mukherjee, diretora da Clínica de Direitos dos Imigrantes da Universidade Columbia, representou os Vargas. Denunciou táticas que forçam pessoas a desistir de processos legítimos.
Relatos de clientes detidos de Nova Jersey ao Texas descrevem condições insuportáveis e degradantes. Muitos estão abandonando reclamações de imigração voluntariamente.
Escolha impossível para famílias
Os Vargas optaram por embarcar em voo de deportação em novembro, abrindo mão de pedidos de visto. Kelly Vargas confessou temor de encarceramento e cumprimento das ameaças recebidas.
Advogados e ativistas argumentam que casos com reivindicações potencialmente legítimas estão sendo capturados em dinâmica orientada por números e prazos.
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