Da Redação
Uma frota de cerca de 1,5 mil navios petroleiros opera clandestinamente nos oceanos mundiais, transportando aproximadamente 20% do petróleo consumido globalmente. Desses, 1,1 mil têm origem russa, conforme dados de sites especializados em rastreamento marítimo.
Escala da operação ilegal
As rotas mais utilizadas conectam Irã à China, Rússia à China e Rússia à Índia. Índia e China absorvem 39% e 29% do petróleo bruto transportado clandestinamente, respectivamente.
Brasil e Cingapura lideram a compra de derivados de petróleo dessa frota, com 16% e 15% das transações. Aproximadamente 24% dos volumes de petróleo bruto têm destino desconhecido.
Métodos de ocultação utilizados
Os navios desligam o Sistema Automático de Identificação (AIS), fundamental para rastreamento legal. Utilizam documentos de registro falsos e estruturas corporativas complexas para disfarçar proprietários.
Mudanças frequentes de nome, bandeira e marcações físicas são práticas comuns. Os encontros suspeitos em alto mar permitem transferências de carga longe de portos vigiados internacionalmente.
Registros em jurisdições permissivas
A maioria das embarcações está registrada em Emirados Árabes Unidos, seguida por Grécia, Hong Kong, Ilhas Marshall e Libéria. Essas jurisdições oferecem taxas reduzidas e regulamentações flexíveis.
As bandeiras de conveniência permitem contratação de tripulações com baixa remuneração e menor supervisão trabalhista dos países de origem.
Condições de trabalho precárias
Mais de 3 mil marinheiros ficaram presos em 230 navios em 2024, muitos vinculados a operações clandestinas. Recrutas recebem falsas promessas de emprego legítimo, enfrentando trabalho forçado e confisco de documentos.
Os salários são pagos em dinheiro vivo ou criptomoedas, principalmente Tether (USDT). Custos operacionais mensais chegam a US$ 120 mil por navio com 30 tripulantes.
Riscos ambientais e de segurança
As embarcações têm idade média superior a 15 anos, frequentemente sem manutenção adequada ou cobertura de seguro. Equipamentos defeituosos elevam significativamente o risco de vazamentos catastróficos.
Peças de reposição circulam por intermediários na China, Namíbia e Omã, obscurecendo rastreabilidade. Acidentes a bordo e colisões são consequências diretas da falta de revisões de segurança padrão.
Reforço das operações de fiscalização
A União Europeia intensificou esforços em 2025, autoridades de Bélgica, Suécia, França, Itália e Alemanha realizaram interceptações regulares. A Guarda Costeira americana abordou cinco petroleiros venezuelanos em janeiro.
O Senado americano aprovou a Lei de Sanções da Frota Sombra, visando embarcações transportando petróleo, armas ou mercadorias sancionadas. Proprietários, operadores e financiadores enfrentarão bloqueios de propriedade e revogação de vistos.
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