Da Redação
Mato Grosso atingiu um marco histórico em outubro de 2026. O Estado registrou o menor número de focos de calor para o mês desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 1998. Foram contabilizados 761 focos no território estadual.
A redução apresenta-se significativa. Comparado a outubro de 2025, o decréscimo chegou a 46,03%. Frente à média histórica do período de 4.846 registros, a queda atinge 84,30%. Os dados evidenciam uma clara mudança na trajetória dos incêndios florestais.
Quatro meses com índices recordes em 2026
Outubro integra um grupo reduzido de meses em 2026 com desempenho histórico. Conforme dados do Banco de Dados de Queimadas (BDQueimadas), outros três períodos também registraram os menores índices documentados para seus respectivos meses: junho, julho e setembro.
O Estado acumula resultados que não ocorriam em 28 anos de monitoramento. A sequência indica consistência nas ações preventivas implementadas, não representando ocorrências isoladas.
Período crítico exige monitoramento contínuo
O tenente-coronel BM Heitor Alves de Souza, comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), explica que junho a novembro constitui a fase mais sensível. Nesse período, temperaturas altas, baixa umidade atmosférica e ventos intensos criam cenários favoráveis ao surgimento e disseminação do fogo.
Os baixos índices durante esses meses refletem o êxito das estratégias de prevenção e combate em Mato Grosso. O trabalho coordenado entre órgãos e comunidade produziu resultados mensuráveis.
Medidas coordenadas produzem efeito comprovado
A corporação implementou um conjunto abrangente de ações. Destacam-se a fiscalização rigorosa e campanhas de conscientização populacional sobre os riscos de focos ilegais. Parcerias com prefeituras, produtores rurais e brigadas ampliaram o escopo operacional.
O comandante Heitor Alves de Souza afirmou que “o resultado de outubro consolida os índices históricos já alcançados em junho, julho e setembro e demonstra a consistência do trabalho desenvolvido pelas equipes durante toda a temporada”. Ressaltou ainda que se trata de “uma atuação contínua, baseada em planejamento estratégico, inteligência no monitoramento, parcerias com prefeituras, produtores rurais e brigadas, além de ações de conscientização da população”.
Fatores climáticos contribuem para redução
Um aspecto externo colaborou de forma decisiva. O aumento do volume de chuvas elevou a umidade do solo e da vegetação. As condições propensas ao surgimento e propagação do fogo diminuíram naturalmente.
A combinação entre ações humanas coordenadas e fatores climáticos gerou a conjuntura ideal para alcançar índices históricos. A vigilância, porém, permanece essencial.
Monitoramento segue até final de novembro
Apesar dos resultados expressivos, o Corpo de Bombeiros Militar prosseguirá com monitoramento e prevenção de incêndios. As operações terão continuidade até 30 de novembro, quando encerra o período proibitivo para uso do fogo em Mato Grosso.
O comandante reforçou que “os cuidados precisam ser mantidos”. Pediu à população que “evite o uso irregular do fogo e denuncie situações de queimadas ilegais, contribuindo para a proteção do meio ambiente, da saúde pública e da segurança das comunidades”.
Estado ganha projeção em cenário internacional
O desempenho mato-grossense também repercute globalmente. Mato Grosso será anfitrião da segunda edição do Congresso Internacional de Gestão de Incêndios Florestais – ForestFire, de 12 a 14 de maio de 2027, em Cuiabá.
A expectativa é atrair milhares de participantes de 38 países. O evento amplificará a projeção internacional mato-grossense nas discussões sobre prevenção, gestão e combate a incêndios florestais. O congresso dará continuidade ao trabalho iniciado em 2025, quando o Estado sediou a primeira edição.
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