Da Redação
Carlos Bolsonaro renuncia à Câmara Municipal do Rio de Janeiro e inicia um novo capítulo na própria carreira política. Nesta quinta-feira (11/12), ele anunciou que deixará o mandato de vereador para disputar uma vaga no Senado por Santa Catarina em 2026. Assim, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro entra em um cenário estratégico para o PL, em um estado onde o bolsonarismo segue muito forte.
Desse modo, Carlos encerra mais de duas décadas na política municipal carioca e passa a mirar um cargo de alcance nacional.
Por que Carlos Bolsonaro renuncia à Câmara do Rio
Segundo o parlamentar, Carlos Bolsonaro renuncia como parte de um projeto político mais amplo. Ele afirmou que deixa o Rio “com o coração cheio de saudade”, porém convencido de que atende a uma missão de maior alcance nacional. Ao mesmo tempo, diz que manterá a mesma agenda ideológica que defende desde o início da vida pública.
Ao fazer um balanço da trajetória, Carlos lembrou que:
- assumiu o primeiro mandato em 2000, aos 17 anos;
- foi reeleito seis vezes seguidas;
- em 2016 e em 2024, tornou‑se o vereador mais votado da cidade.
Além disso, ele citou ações como o clube de literatura clássica e o “Dia Municipal da Liberdade de Expressão”. Na visão do vereador, esse histórico o credencia a buscar uma cadeira no Senado e a representar, em Brasília, as mesmas pautas que defendia no legislativo carioca.
Como será a candidatura ao Senado por Santa Catarina
Ao anunciar que Carlos Bolsonaro renuncia ao mandato no Rio para concorrer por Santa Catarina, o PL aposta em um reduto eleitoral considerado muito favorável. Em 2022, Jair Bolsonaro recebeu quase 70% dos votos no segundo turno no estado. Por isso, a sigla enxerga Santa Catarina como um dos pilares do bolsonarismo no país.
Nesse contexto, ao longo de 2024, Carlos intensificou a presença em solo catarinense. Ele:
- visitou diferentes cidades;
- participou de eventos políticos e encontros partidários;
- buscou aproximação com bases locais e com lideranças conservadoras.
Dentro do PL, essa movimentação é vista com pontos positivos e negativos:
- Base eleitoral forte: o bom desempenho de Jair Bolsonaro tende a impulsionar a campanha de Carlos.
- Visibilidade nacional: a associação direta ao ex‑presidente amplia o alcance da candidatura.
- Disputas internas: parte do partido teme perda de espaço para outras lideranças estaduais, como a deputada federal Carol de Toni.
Portanto, a pré‑candidatura reúne alto potencial de votos, mas também risco de conflitos internos.
Reação do PL e das lideranças catarinenses
A decisão de que Carlos Bolsonaro renuncia ao mandato no Rio e migra para Santa Catarina mexe diretamente com o xadrez do PL local. O governador Jorginho Mello, também do partido, deve disputar a reeleição em 2026. Por isso, tenta evitar que todas as vagas majoritárias fiquem concentradas na sigla, preservando espaço para alianças com outras legendas.
Parte das lideranças regionais avalia que a chegada de Carlos pode ofuscar trajetórias já consolidadas. O nome mais citado é o de Carol de Toni, hoje uma das principais figuras do bolsonarismo no estado. Como apenas uma vaga ao Senado estará em disputa, dois candidatos fortes do mesmo grupo tendem a dividir apoios.
Diante disso, o partido precisa equilibrar alguns pontos:
- Avaliação de cenário: Santa Catarina parece mais promissora que o Rio, onde o quadro é mais competitivo e fragmentado.
- Composição de chapa: o PL precisa reservar espaços para aliados e eventuais coligações na disputa majoritária.
- Conflitos internos: cresce o risco de choque com outras pré‑candidaturas conservadoras do próprio partido.
- Presença bolsonarista no Senado: aliados de Jair Bolsonaro defendem manter um representante direto da família na Casa.
Assim, a ida de Carlos obriga o PL a recalcular alianças e a redistribuir espaços com mais cautela.
O que muda na trajetória de Carlos Bolsonaro
Ao formalizar que Carlos Bolsonaro renuncia à Câmara do Rio, o vereador encerra um ciclo totalmente ligado à política municipal carioca. A mudança de domicílio eleitoral e o foco em Santa Catarina sinalizam uma tentativa clara de ampliar o raio de influência da família Bolsonaro para além do eixo Rio–Brasília.
Se a candidatura ao Senado se confirmar, e se contar com apoio do PL e de Jair Bolsonaro, Carlos tende a ocupar papel central na campanha bolsonarista de 2026 no estado. No entanto, ele terá de:
- construir laços sólidos com o eleitorado catarinense;
- negociar espaço com lideranças regionais;
- administrar resistências internas e disputas de protagonismo.
Nesse sentido, a eleição funcionará como teste da capacidade do clã Bolsonaro de reorganizar a própria base e preservar protagonismo em um cenário mais fragmentado.
FAQ sobre a mudança política de Carlos Bolsonaro
Carlos Bolsonaro já disputou algum cargo fora do Rio?
Não. Até agora, toda a trajetória eleitoral dele ocorreu na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, com mandatos consecutivos desde 2000.
Por que Santa Catarina é estratégica para o bolsonarismo?
Porque o estado deu votação muito alta a Jair Bolsonaro em eleições recentes, tem forte presença de lideranças conservadoras e mantém base fiel ao projeto político do ex‑presidente.
Quem pode ser o principal adversário interno de Carlos no PL catarinense?
A deputada federal Carol de Toni é apontada como a liderança que pode ter espaço reduzido com a entrada de Carlos na corrida ao Senado pelo mesmo partido.
O que a renúncia representa para a carreira de Carlos?
A renúncia marca o fim da fase municipal e o início de um projeto de alcance nacional. Em síntese, Carlos Bolsonaro renuncia ao mandato local para tentar se projetar como senador e voz direta do bolsonarismo no Congresso.
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