Da Redação
Quem venceu as eleições presidenciais de Honduras, realizadas em 30 de novembro, continua sem definição. A dúvida aumenta a ansiedade da população, porque a contagem de votos segue travada e ainda depende de uma recontagem voto a voto.
Até sexta-feira (5), o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) havia processado 88% das cédulas. Nesse cenário, o conservador Nasry “Tito” Asfura, do Partido Nacional – que recebeu apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – liderava com 1.132.321 votos (40,19% dos válidos). Logo atrás vinha o também conservador Salvador Nasralla, do Partido Liberal, com 1.112.570 votos (39,49%).
Já a candidata do governista Partido Liberdade e Refundação (Libre), Rixi Moncada, de esquerda, aparecia em terceiro lugar, bem distante, com 543.675 votos (19,30%).
Inconsistências travam apuração e levam à recontagem
O CNE afirma que encontrou inconsistências em diversos boletins de urnas. Por causa disso, o órgão decidiu fazer uma recontagem voto a voto. O conselho tem três membros, indicados pelos principais partidos da disputa, o que torna cada decisão ainda mais sensível do ponto de vista político.
A presidente do CNE, Ana Paola Hall, atribuiu a paralisação do sistema de contagem a “problemas técnicos” registrados no sábado, segundo o jornal La Prensa. A explicação, porém, não dissipou a desconfiança de parte do eleitorado e das campanhas.
Além disso, mais de 5.000 eleitores do pequeno município de San Antonio de Flores, no departamento de El Paraíso, só conseguiram votar neste domingo (7). Irregularidades no dia da eleição, em 30 de novembro, impediram o pleito na data original e forçaram a realização tardia da votação.
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OEA cobra agilidade, rastreabilidade e melhor gestão
Diante do impasse, a Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu agilidade e mais transparência. O grupo, chefiado pelo ex-chanceler paraguaio Eladio Loizaga, quer garantias de rastreabilidade que deem segurança ao resultado final.
“A Missão observou que a gestão e o processamento dos materiais eleitorais têm sido atrasados e intermitentes”, informou a OEA em comunicado. A organização também apontou “marcante falta de expertise” na adoção e operação das soluções tecnológicas usadas na contagem.
Segundo o relatório preliminar, entre a noite de domingo e a quinta-feira seguinte, o site oficial de divulgação dos resultados preliminares apresentou longos períodos de indisponibilidade e instabilidade. Esses episódios alimentaram dúvidas sobre a eficiência e a transparência do sistema.
Pressão política cresce em meio à disputa apertada
Enquanto o CNE tenta avançar na recontagem, a pressão política aumenta. O apoio explícito de Donald Trump a Nasry “Tito” Asfura elevou a visibilidade internacional da eleição e tornou qualquer atraso ainda mais delicado. Ao mesmo tempo, adversários questionam a condução da apuração e pedem maior clareza nos procedimentos.
O governo hondurenho e o próprio conselho eleitoral também sofrem cobrança de eleitores e observadores. Quanto mais o impasse se prolonga, maior o risco de protestos, contestação da legitimidade do resultado e instabilidade institucional.
Por enquanto, a definição sobre quem comandará Honduras depende do ritmo da recontagem voto a voto e da capacidade do processo eleitoral de recuperar a confiança interna e externa. A OEA, por sua vez, segue com observadores no país e insiste que rapidez, rastreabilidade e boa comunicação são essenciais para que o desfecho da eleição seja aceito pela classe política e pela sociedade.
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