Da Redação
O Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, que orbita há mais de 20 anos, deve reentrar na atmosfera terrestre na madrugada de quarta-feira (4). A questão central é se o Brasil encontra-se na área de possível impacto dos fragmentos.
Satélite completou duas décadas de missão
Durante vinte anos operacionais, o satélite utilizou três instrumentos científicos especializados para detectar e estudar explosões de raios gama (GRBs), os eventos magnéticos e energéticos mais violentos do Universo. Os equipamentos eram: o Telescópio de Alerta de Explosões (BAT), o Telescópio de Raios X (XRT) e o Telescópio Ultravioleta e Óptico (UVOT).
Nas últimas semanas, a altura da órbita diminuiu consideravelmente por atrito constante com gases atmosféricos. Esse movimento aproximou perigosamente o observatório da Terra e tornou o controle remoto impossível para os operadores em solo.
Dinâmica orbital explicada por especialista
Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, explica o fenômeno. “Para orbitar a Terra, qualquer objeto precisa viajar a cerca de 27 mil quilômetros por hora, gerando força centrífuga que compensa atração gravitacional”, afirma.
“Após cumprir missão, muitas espaçonaves permanecem em órbita baixa, onde gases atmosféricos produzem arrasto suficiente. Isso reduz velocidade do objeto, fazendo a gravidade prevalecer gradualmente”, complementa Zurita.
Tentativa de salvamento não alcançou êxito
A NASA tentou salvar a estrutura com missão robótica enviada por empresa parceira, mas o plano fracassou. A espaçonave de resgate sofreu problemas graves no sistema de estabilização, começou girar sem controle e gastou combustível demais.
O encaixe não foi possível. Sem conseguir estabilizar a órbita, o satélite entrou em trajetória descendente irreversível, restando apenas aguardar sua reentrada na atmosfera.
O caminho sem volta da reentrada
“A cada órbita em torno da Terra, o arrasto reduz ainda mais a velocidade do satélite”, explica Zurita. “Sua altitude diminui, atingindo camadas mais baixas e densas da atmosfera, que oferecem mais resistência.”
“É um caminho sem volta. A órbita vai deteriorando até atingir ponto de ruptura, quando calor intenso e desaceleração mecânica farão o objeto despedaçar-se e queimar, deixando geralmente poucos detritos”, acrescenta o especialista.
Brasil localiza-se na faixa de possível impacto
A inclinação orbital do Swift delimita as regiões que podem receber fragmentos do observatório. Essa faixa inclui parte da América do Sul e do território brasileiro, mas isso não garante impacto por aqui.
Em comunicado de segunda-feira (2), a NASA revelou que a Força Espacial dos EUA prevê reentrada da espaçonave de aproximadamente 1.450 kg por volta das 5h30 da manhã (horário de Brasília) desta quarta-feira (4), com margem de erro de 11 horas.
De acordo com Zurita, considerando dados do SatFlare.com (site especializado em monitoramento de satélites artificiais e detritos espaciais em órbita), a previsão é para 6h57, com 6 horas de margem de erro. Durante a janela prevista, o equipamento passa seis vezes sobre o Brasil.
As chances de queda sobre o Brasil são de cerca de 4%, segundo o especialista.
Risco considerado baixíssimo para população
“Não há com o que se preocupar”, garante Zurita. “Devido à enorme velocidade de reentrada, a atmosfera desintegra quase completamente o objeto.”
“Os gases atmosféricos são aquecidos e ionizados, gerando enorme bola de fogo visível a centenas de quilômetros de distância. O calor vaporiza completamente até 80% do objeto, e o pouco que sobrar será fragmentado pela resistência do ar”, completa.
A NASA reforça que o risco de danos a qualquer pessoa na Terra é baixíssimo: a chance é de cerca de 1 em 2.100. A maior parte do corpo principal é feita de alumínio e materiais leves que derretem rapidamente no fogo intenso gerado pela alta velocidade.
Apenas peças metálicas bem mais resistentes podem resistir às altas temperaturas e atingir o solo sem sofrer vaporização completa durante a travessia rápida pela camada atmosférica terrestre.
Lixo espacial cresce com novos lançamentos
O aumento constante no número de reentradas sem controle reflete crescimento acelerado dos lançamentos espaciais recentes realizados por diversas empresas privadas globalmente. Por isso, engenheiros aeroespaciais defendem que novos satélites sejam construídos com materiais mais adequados.
Esses componentes devem ser projetados para desaparecer totalmente ao fim da vida útil no espaço, evitando poluição orbital persistente.
Discussão sobre sustentabilidade orbital
Empresas privadas e governos discutem novas regras para evitar crescimento do lixo espacial. A sustentabilidade fora do planeta tornou-se tema urgente para garantir segurança nos próximos anos, exigindo investimentos pesados em tecnologia limpa.
Planos seguros de desativação para cada equipamento lançado ao cosmos são necessários. O monitoramento contínuo ajuda a proteger vidas e propriedades contra acidentes gerados por destroços que completam seu ciclo de vida útil reentrando na atmosfera.
A comunidade científica internacional continua atenta aos desdobramentos desta reentrada enquanto planeja novos métodos para lidar com o crescente tráfego de satélites obsoletos que orbitam o planeta.
Fonte: Olhar Digital
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