*Da Redação*
Líderes mundiais deixaram a COP30 em Belém após reforçarem mensagens sobre combate às mudanças climáticas. Agora inicia a etapa de negociações técnicas entre países. Nos próximos dias, delegados discutirão estratégias práticas de redução de emissões e financiamento climático.
Negociadores de quase 200 nações abordarão detalhes sobre redução de emissões e estrutura dos fundos. Os recursos ajudarão nações pobres a lidar com impactos climáticos extremos. O desafio envolve equilibrar interesses de grandes produtores de combustíveis fósseis e pequenos estados insulares.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou que esta conferência diferencia-se das anteriores. Afirmou que os países precisam ser cuidadosos, pois nenhum está totalmente pronto para transição energética.
Disputa na agenda
As maiores disputas ocorrem na definição da agenda formal da conferência. Grupos de negociação apresentaram diversos tópicos para consideração até segunda-feira. Consenso entre delegados é necessário, mas várias propostas geram atritos entre países.
O grupo dos Países em Desenvolvimento com Mentes Semelhantes, incluindo Arábia Saudita e Índia, quer discutir financiamento climático para nações pobres. Também busca incluir medidas comerciais unilaterais, referindo-se à taxa da UE sobre importações com altas emissões.
A Aliança dos Pequenos Estados Insulares propõe agenda item sobre relatório da ONU. O documento mostrou que mundo está longe de manter aquecimento abaixo de 1,5°C conforme Acordo de Paris. A Arábia Saudita pode oferecer resistência a aumentos de ambição climática.
O Brasil sugeriu incorporar itens da agenda em linha de negociação existente junto ao tema financeiro. A estratégia prepara terreno para decisão final mais abrangente. Brasil reúne-se com chefes de delegação esperando fechar grande acordo e evitar impasse.
Roteiro para combustíveis fósseis
Após acordo de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático no ano passado, nações desenvolvidas focam em mitigação. O objetivo é manter viva a meta de 1,5°C de aquecimento global. Na COP28, países comprometeram-se com transição dos combustíveis fósseis.
Porém, nenhuma das mais de 60 atualizações nacionais de metas climáticas estabeleceu objetivos para reduzir produção de petróleo e gás. O presidente Lula afirmou que o mundo precisa de roteiro para “superar” dependência dos combustíveis fósseis.
Acordo sobre caminho a seguir em Belém seria visto como grande vitória por países progressistas e ativistas. Não fica claro onde nova iniciativa de transição poderia encaixar-se no processo da COP.
Corrêa do Lago informou que todos os países produtores de combustíveis fósseis concordaram em fazer transição. O presidente alegou: “Temos um mandato. Vamos falar sobre isso.”
Kalani Kaneko, ministro das Ilhas Marshall, criticou a indústria de combustíveis fósseis por não se preparar adequadamente. Alertou sobre choques de oferta, conflitos por recursos e ativos encalhados.
Atenção ao posicionamento dos EUA
Os Estados Unidos saem do Acordo de Paris, com saída marcada para 27 de janeiro. O país não registrou delegados para participar de negociações formais. Oficiais americanos podem comparecer até o final da conferência.
Sob governo Donald Trump, os EUA defendem fortemente combustíveis fósseis. O país demonstrou desprezo por enfrentar mudanças climáticas em outros fóruns multilaterais. Trabalhou para atrapalhar ações sobre plásticos e emissões em transporte marítimo.
Foco em adaptação climática
A COP30 não possui grande entrega de destaque como edições anteriores. Porém, negociadores podem avançar significativamente na adaptação às mudanças climáticas. O tema ganhou relevância após furacão Melissa devastar Jamaica com danos de US$ 4,2 bilhões.
Negociações focam em reduzir lista de indicadores de resiliência climática de 400 para aproximadamente 100. Resultado será conjunto mais claro de critérios para avaliação e apoio político. Meta de dobrar financiamento para adaptação expira neste ano.
Kaneko afirmou que COP30 precisa concordar com pacote de adaptação com nova meta financeira. Ressaltou que necessidades de adaptação das ilhas são esmagadoras.
Radar364 – O Seu Portal de Notícias de Rondonópolis e Região.

