Da Redação
A Suprema Corte do Panamá anulou na quinta-feira (29) o contrato da CK Hutchison Holdings Ltd. para operar dois portos estratégicos no Canal do Panamá. A decisão declara o acordo inconstitucional e afeta diretamente os interesses do conglomerado de Hong Kong, controlado pelo bilionário Li Ka-shing. O veredicto marca um capítulo decisivo na disputa geopolítica entre Estados Unidos e China pelo controle de infraestruturas na América Latina.
Transição e Gestão Interina
O presidente panamenho José Raúl Mulino afirmou que o governo iniciou negociações com a APM Terminals, braço da dinamarquesa Maersk, para assumir a gestão temporária das instalações portuárias. A Panama Ports Company seguirá operando os terminais de Balboa e Cristobal até conclusão dos trâmites jurídicos. Após este período, uma nova licitação será aberta para garantir transparência e defesa dos interesses nacionais.
A decisão provocou impacto imediato no mercado financeiro, com as ações da CK Hutchison registrando queda de 5,7% em Hong Kong. A nulidade do contrato traz incerteza sobre a venda global de 43 terminais do grupo, negócio avaliado em mais de US$ 19 bilhões. A empresa informou que estuda medidas legais e possíveis pedidos de esclarecimento judicial.
Influência Americana e Reação Chinesa
A decisão é vista como triunfo da política externa de Donald Trump, crítico da presença chinesa no canal. O governo americano tem pressionado aliados para filtrar participação estrangeira em ativos logísticos sob argumentos de segurança nacional. O Ministério das Relações Exteriores chinês reagiu prontamente, afirmando que protegerá direitos legítimos de suas empresas no exterior.
O imbróglio jurídico baseia-se em alegações do controlador-geral do Panamá, Anel Flores. Segundo Flores, a extensão do contrato em 2021 causou perdas superiores a US$ 1 bilhão em receitas tributárias ao país. A auditoria apontou que a concessionária não obteve aprovações devidas, fundamentando parecer de inconstitucionalidade da corte.
Impactos no Comércio Global
Analistas acreditam que o desinvestimento da CK Hutchison ainda deve prosseguir, embora com avaliação de mercado reduzida. O fatiamento da venda em blocos regionais é estratégia para mitigar riscos regulatórios em áreas de influência americana. O episódio reforça tendência global de países retomarem controle de infraestruturas críticas, priorizando soberania sobre contratos privados.
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