Da Redação
Criar uma cadeira com inteligência artificial parece automático. Porém, o experimento do designer britânico Ross Lovegrove com o Google DeepMind revelou processo bem mais complexo e laborioso.
O projeto não buscava inventar um objeto do zero. A equipe treinou um modelo generativo baseado nos esboços autorais de Lovegrove, reconhecido por suas formas orgânicas e biomórficas características.
Tecnologia aprendendo a linguagem do design
O primeiro desafio surgiu na comunicação entre humanos e máquina. Mesmo treinada com os desenhos de Lovegrove, a inteligência artificial não entendia termos técnicos comuns no estúdio.
A palavra “cadeira” gerava soluções óbvias e previsíveis. A equipe passou a usar descrições abstratas como “extensão contínua de superfície única” e “fluxos laterais”.
Nesse ponto, o experimento deixou de ser apenas tecnológico e virou linguístico. Aprender a falar para a IA se tornou tão importante quanto a própria programação.
Centenas de variações até uma única escolha
O modelo gerou centenas de imagens antes que uma proposta específica se destacasse. A chamada Seed 6143 seguiu para aprofundamento técnico e refinamento.
Algumas variações se afastaram do repertório habitual de Lovegrove, lembrando mais a estética sombria de H. R. Giger do Alien. Esses desvios exigiram avaliação e decisão humana constante.
A inteligência artificial gerava possibilidades, mas a curadoria permanecia totalmente humana em cada etapa.
Do digital para o mundo real
Após definir a Seed 6143, o projeto passou por simulações estruturais e ajustes técnicos. A fabricação final utilizou impressão 3D em metal com braço robótico.
A cadeira resultante é funcional, esteticamente coerente e pode ser usada normalmente. Representa a transição decisiva do ambiente digital para realidade.
Criatividade continua sendo processo humano
O experimento não resolve debates sobre autoria nem propõe modelo definitivo de criação colaborativa com máquinas.
Deixa algo mais concreto: mesmo com inteligência artificial, criar permanece sendo processo de escolhas, limites e interpretação fundamentalmente humana.
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